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Rússia avisa EUA contra “aventuras militares ilegais” na Síria

Vassily Nebenzia, embaixador da Rússia nas Nações Unidas, durante a reunião do Conselho de Segurança sobre os alegados ataques químicos na Síria

Mohammed Elshamy / Anadolu Agency / Getty Images

Reunião do Conselho de Segurança da ONU foi marcada pelo chumbo da proposta norte-americana para a abertura de um novo inquérito sobre o alegado ataque químico de sábado. Contraproposta de Moscovo também não conseguiu apoio suficiente

A Rússia pediu aos EUA que evitem tomar medidas militares em resposta ao alegado ataque químico de sábado na Síria. “Mais uma vez, peço que se abstenham dos planos que estão a desenvolver atualmente”, disse esta terça-feira o embaixador russo nas Nações Unidas, Vassily Nebenzia, alertando Washington de que irá “assumir responsabilidade” por qualquer “aventura militar ilegal” que venha a desenvolver.

No entanto, líderes ocidentais concordaram em trabalhar juntos para punir os responsáveis pelo ataque em Douma, subúrbio de Damasco controlado pelos rebeldes, que terá vitimado mais de 45 pessoas e provocado lesões sérias em centenas de outras.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, garantiu que qualquer ataque teria como alvo unidades químicas do Governo sírio. Entretanto, o Presidente norte-americano, Donald Trump, cancelou a sua primeira viagem oficial à América Latina para “preparar a resposta dos EUA” ao alegado ataque químico.

Conselho de Segurança dividido

As advertências de Moscovo foram feitas numa reunião dividida do Conselho de Segurança da ONU, durante a qual uma proposta para abrir um novo inquérito sobre o alegado ataque não foi aprovada. A Rússia vetou a resolução elaborada pelos EUA e a China absteve-se. Uma contraproposta, apresentada por Moscovo, também não conseguiu o apoio suficiente.

A proposta norte-americana pedia uma investigação independente às alegações de que o regime do Presidente sírio, Bashar al-Assad, perpetrou o alegado ataque químico em Douma. A Síria, que recebe apoio militar da Rússia, nega responsabilidade.

Uma equipa da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) deverá chegar à Síria “em breve” para determinar se armas proibidas foram usadas em Douma. Contudo, a OPAQ não procurará determinar quem foi o responsável pelo ataque.

Durante a reunião do Conselho de Segurança, o embaixador russo acusou os EUA de “plantarem esta resolução” como “pretexto” para justificar uma ação militar. A embaixadora norte-americana na ONU, Nikki Haley, apelidou a votação de “travesti”, acusando a Rússia de “destruir a credibilidade do Conselho”.