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Jornal crítico de Orbán fecha portas na Hungria

Primeira página da última edição do diário húngaro Magyar Nemzet, publicado pela última vez esta quarta-feira

Balazs Szekelyhidi / Magyar Nemzet / Reuters

Dois dias após a vitória eleitoral de Viktor Orbán, um dos jornais críticos ao polémico primeiro-ministro da Hungria deixou de ir para as bancas. A última edição do Magyar Nemzet saiu esta quarta-feira, dia em que o jornal cumpriu 80 anos de vida

Margarida Mota

Jornalista

Fechou portas, esta quarta-feira, um dos poucos jornais críticos do controverso primeiro-ministro húngaro, dois dias após Viktor Orban ter sido reeleito para um novo mandato de quatro anos.

O Magyar Nemzet, um diário que completou, esta quarta-feira, exatamente 80 anos de vida, alegou dificuldades financeiras para continuar a funcionar.

“Devido a problemas financeiros do Magyar Nemzet, os proprietários decidiram cessar a atividade de publicação de conteúdos a 11 de abril de 2018. Por essa razão, o Magyar Nemzet e a sua versão digital mno.hu vai fechar”, anunciou o editor no seu sítio na internet.

Para as perdas avultadas contribuiu tambem o facto de a publicação ter deixado de contar com publicidade estatal nas suas páginas.

Nas bancas desde 11 de abril de 1973, o Magyar Nemzet é propriedade do magnata Lajos Simicska, em tempos um aliado de Viktor Orban, hoje um crítico e opositor do primeiro-ministro nacionalista.

Leitura política

A coincidência entre o encerramento do jornal e a expressiva vitória eleitoral de Orban — a terceira maioria absoluta consecutiva — confere uma dimensão política ao fim do Magyar Nemzet.

Para os observadores da realidade político-social húngara, o encerramento desta publicação confirma a deterioração da liberdade de expressão no país, que tem levado a um gradual desaparecimento de órgãos de informação independentes e críticos ao primeiro-ministro.

Na Europa, o líder húngaro — no poder desde 2010 — tem-se projetado como um guardião da cultura cristã contra a ‘invasão muçulmana’ através das rotas migratórias. Em 2015, no pico da crise migratória, a Hungria ergueu uma barreira na fronteira com a Sérvia para impedir a entrada de imigrantes no país.

Nesse mesmo ano, a 22 de maio, na receção aos participantes na cimeira de Riga, na Letónia, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, acolheu Orban, chamando-lhe — entre sorrisos e abraços — “ditador”.