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Trump cancela viagem à América Latina para “preparar resposta dos EUA” ao alegado ataque químico na Síria

SAUL LOEB/GETTY IMAGES

Mike Pence, vice-presidente norte-americano, viajará para o Peru e para a Colômbia no lugar de Donald Trump. Washington prometeu uma resposta ao Governo sírio nas próximas horas e o Governo sírio já terá colocado as suas tropas em “alerta máximo”

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Donald Trump cancelou a sua primeira viagem oficial à América Latina para “preparar a resposta dos EUA” ao alegado ataque químico na cidade síria de Douma, último bastião rebelde nos arredores de Damasco, capital da Síria.

O vice-presidente Mike Pence viajará para o Peru, para participar na Cimeira das Américas, e dali para a Colômbia no lugar do Presidente norte-americano.

Pelo menos 42 pessoas morreram no sábado vítimas de um alegado ataque químico em Douma, maior cidade de Ghouta Oriental, nos arredores de Damasco, segundo números da Sociedade Médica Síria-Americana (SAMS), organização não-governamental que apoia equipas médicas na Síria, e dos White Helmets, ou Capacetes Brancos (equipa de resgate que atua nas poucas áreas ainda controladas pela oposição síria). As duas organizações responsabilizam o regime sírio pelo sucedido.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, classificou o alegado ataque químico de “hediondo” e prometeu uma resposta de Washington nas próximas horas. Em resposta à ameaça, o embaixador da Rússia nas Nações Unidas, Vassily Nebenzia, afirmou na segunda-feira à noite que o seu país “estava a ser ameaçado de forma imperdoável” e, na reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, afirmou que as ações dos EUA podem ter “repercussões graves”.

A agência de notícias alemã DPA noticiou entretanto que o Governo sírio colocou as suas tropas em “alerta máximo”, em aeroportos e bases militares em províncias como Sweide, Aleppo, Latakia e Deir ez-Zor, por um período de 72 horas.

À semelhança do que tinha dito no mesmo dia o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, Vassily Nebenzia garantiu que os investigadores russos concluíram que “não houve ataque com armas químicas” em Douma e que este tinha sido encenado por rebeldes treinados por forças especiais americanas para levarem a cabo provocações. A Rússia vai apresentar na ONU um projeto de resolução exigindo “um inquérito” por peritos da Organização para a Proibição de Armas Químicas.

Vários países condenaram o alegado ataque nos últimos dias, incluindo Portugal. Já esta terça-feira, o Governo francês admitiu “ripostar” caso sejam ultrapassadas as “linhas vermelhas”. Isto é, caso se confirme a utilização de armas químicas pelo regime de Damasco contra a população de Douma, informou o porta-voz do Executivo francês, acrescentando que as informações que o chefe de Estado francês Emmanuel Macron e Donald Trump têm ao seu dispor “confirmam, à priori, a utilização de armas químicas”.