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“O Facebook é uma empresa idealista e otimista”: o que disse (na íntegra) uma das personalidades mais poderosas do mundo

AARON P. BERNSTEIN

Naquela que é a primeira de duas audições perante o Congresso norte-americano a propósito do escândalo Facebook/Cambridge Analytica, Mark Zuckerberg começou por uma declaração mais longa - só depois vieram as perguntas. Leia aqui na íntegra o que disse o CEO da maior rede social do mundo nesta declaração inicial

“Com todo o direito, vão ter perguntas difíceis para eu vos responder. Mas primeiro quero falar daquilo que estamos a fazer para tratar disso, queremos falar sobre o que temos em mãos. O Facebook é uma empresa idealista e otimista. Grande parte da nossa existência é centrar-nos nas coisas boas que existem em ligar as pessoas. As pessoas ganharam essa ferramenta poderosa de estarem ligadas às pessoas que amam e vimos isso recentemente em movimentos como o #metoo e o furacão Harvey. E 70 milhões de empresas pequenas usam o Facebook para criar postos de trabalho e crescerem.

No entanto, agora é claro que não fizemos o suficiente para prevenir que essas ferramentas fossem usadas também para o mal. E isso aplica-se tanto às fake news, à interferência estrangeira nas eleições e não fomos capazes de ver amplamente a nossa responsabilidade e esse foi um grande erro e por esse erro peço desculpa. Eu comecei o Facebook, geri-o e sou responsável pelo que acontece.

Agora, temos de ir até ao fim na nossa relação com as pessoas e garantir que estamos a olhar amplamente para a nossa responsabilidade. Não chega apenas ligar as pessoas. Temos de garantir que estas ligações são positivas. Não chega dar às pessoas uma voz. Temos de garantir que essa voz não é usada para fazer mal ou para desinformar.

Temos a responsabilidade não só de construir ferramentas, como também de assegurar que essas ferramentas são usadas para o bem. Vai demorar algum tempo até conseguirmos fazermos as mudanças, mas comprometo-me a fazer a coisa certa.

Aqui estão algumas das coisas que estamos a fazer para prevenir que isto volte a acontecer. Primeiro, queremos compreender ao certo o que a Cambridge Analytica realmente fez e alertar todos os que foram afetados. O que sabemos até agora é que a Cambridge Analytica acedeu de forma inapropriada à informação, comprando-a. Quando contactamos a Cambridge Analytica, disseram-nos que tinham apagado toda a base de dados. Há cerca de um mês, ouvimos que isso não seria verdade. Agora, estamos a trabalhar com os governos do EUA, dos Reino Unido e de todo o mundo para fazer uma auditoria completa e garantir que a Cambridge Analytica elimina toda a informação.

Em segundo lugar, queremos garantir que outras apps não abusam das informações, estamos a investigar cada uma das apps e a prevenir que isto não chega mais longe, que não conseguem aceder a tantos dados. A boa notícia é que já fizemos grandes mudanças que impedem que um caso como este da Cambridge Analytica volte a acontecer atualmente. Mas há mais a fazer, podem saber mais detalhes na minha declaração por escrito.

A minha prioridade sempre foi que a nossa rede social ligasse as pessoas, construindo uma comunidade e tornando o mundo mais próximo. Anunciantes e programadores nunca me vão tirar essa prioridade enquanto for eu a gerir o Facebook. Fundei o Facebook quando ainda estava na faculdade. Desde então, percorremos um longo caminho. Agora, servimos mais de dois mil milhões de pessoas em todo o mundo, que usam os nossos serviços diariamente para se manterem em contacto com as pessoas que mais amam.

Acredito profundamente naquilo que fazemos e sei que temos problemas, vamos olhar para trás e ver que ajudámos pessoas a ligarem-se e demos voz às pessoas enquanto uma força positiva para o mundo. Apercebi-me que os assuntos que hoje aqui tratamos não são apenas assuntos sobre o Facebook na nossa comunidade, estes são assuntos e desafios para todos nós enquanto americanos.

Muito obrigado por me ouvirem. Estou pronto para todas as vossas questões.”