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Ex-guerrilheiro das FARC preso por tráfico de droga

Apoiantes das FARC protestam em Bogotá contra a prisão do ex-negociador de paz, Jesús Santrich

RAUL ARBOLEDA

Jesús Santrich foi um dos negociadores da paz assinada com o governo da Colômbia em 2016. Antigo grupo rebelde, agora partido político, fala em “montagem” que gera “uma grande desconfiança” sobre todos os antigos guerrilheiros

Um dos líderes das FARC, o antigo grupo rebelde da Colômbia, foi preso esta segunda-feira em Bogotá, na sequência de um pedido dos EUA. Jesús Santrich, um dos negociadores de paz, é acusado de tráfico de droga por um tribunal em Nova Iorque.

Segundo o procurador-general colombiano, Nestor Martinez, Santrich planeava exportar 10 toneladas de cocaína no valor de 320 milhões de dólares (cerca de 260 milhões de euros) para os Estados Unidos.

Jesús Santrich ficará sob custódia até que os EUA solicitem a sua extradição.

Um membro sénior das FARC, Iván Márquez, disse que a prisão foi um dos piores momentos para o processo de paz. Para Márquez, a detenção foi uma “montagem” que gera “uma grande desconfiança” sobre todos os ex-guerrilheiros, pelo que “o governo tem de atuar e impedir que estas montagens jurídicas desemboquem em factos como este”.

Os rebeldes das FARC assinaram um acordo de paz com o governo da Colômbia em 2016. Depois de as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia se terem desarmado no ano passado, o grupo anunciou a formação de um partido político.

Como parte do acordo, o partido recebe 10 assentos no Congresso até 2026, independentemente dos votos que consiga em eleições. Santrich deveria assumir o seu lugar no Congresso em julho.

Numa mensagem televisiva, o Presidente Juan Manuel Santos disse que “os detidos traíram os valores e os princípios do acordo de paz”. O chefe de Estado colombiano esclareceu ainda que os alegados crimes foram cometidos depois da assinatura do acordo de paz, uma vez que os crimes relacionados com droga, anteriores ao acordo, já não são puníveis pela lei.