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Primeiro-ministro húngaro adverte Bruxelas que Europa “não pode continuar assim”

epa

Eleito este domingo para um terceiro mandato, Viktor Orban defende uma União Europeia com “sucesso e forte mas diz haver pontos a melhorar, numa alusão às suas reiteradas críticas à Comissão Europeia por, supostamente, favorecer a imigração muçulmana

O primeiro-ministro húngaro Viktor Orban, cujo poder saiu reforçado após uma vitória nas eleições legislativas deste domingo, advertiu esta segunda-feira a União Europeia (UE) que o panorama europeu e a própria Europa "não podem continuar assim".

"Não nos opomos à Europa. Queremos uma União Europeia com sucesso e forte, mas, para isso, devemos dizer tudo o que nos atormenta", disse Orban à cadeira de televisão Echo TV.

Para o chefe do executivo da Hungria, o resultado das legislativas de domingo, em que o partido que lidera, o conservador Fidesz, obteve quase 50% dos votos, deixou claro a toda a Europa "que as coisas não podem continuar como estão".

Orban aludia às suas reiteradas críticas à Comissão Europeia (CE) por, supostamente, favorecer a imigração muçulmana, bem como a outras posições que mantêm tensas as relações de Budapeste com Bruxelas.

A Comissão Nacional de Eleições húngara confirmou este segunda-feira que, após a contagem de 98% dos votos, o Fidesz conquistou 48,9%, à frente do partido de extrema-direita Jobbik, liderado por Gábor Vona, com 20%, e da coligação esquerdista liderada por Gergeley Karácsony, que integra os sociais democratas e o partido Diálogo, com 12%.

Orban não só obteve o terceiro mandato consecutivo como conseguiu mais quatro pontos percentuais do que na última votação (44,46%), devendo o Fidesz recuperar a maioria de dois terços no Parlamento.

Outro dos temas abordados por Orban nas declarações à Echo TV foi a questão das organizações não governamentais (ONG), uma vez que muitas delas são críticas à política do seu gabinete.

Nesse sentido, o primeiro-ministro húngaro manifestou a vontade de aprovar uma nova lei para controlar o financiamento das ONG, ideia criticada já pela presidente local da Amnistia Internacional (AI), Júlia Iván.

"Nos últimos oito anos, o Governo [húngaro] preocupou-se em impor barreiras às ONG onde pôde. A propaganda governamental pode ser hostil, poderão aprovar leis que limitam os direitos, mas não recuaremos e continuaremos a lutar pela Hungria", afirmou Júlia Iván.

Os resultados definitivos das eleições, que contaram com a maior taxa de participação de 2002 (quase 70% dos mais de oito milhões de eleitores votou), serão conhecidos nos próximos dias, depois de contados os mais de 200 mil boletins oriundos da diáspora húngara.