Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Facebook compromete-se a “prevenir circulação de informação falsa durante eleições”

STEPHEN LAM /REUTERS

“Olhando para trás, é óbvio que fomos demasiado lentos a identificar fenómenos de interferência eleitoral que ocorreram em 2016 e que precisamos de fazer um trabalho melhor no futuro”

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

O Facebook quer criar uma comissão de investigação independente, formada por académicos, para determinar o impacto da empresa em eleições como as presidenciais norte-americanas de 2016.

O anúncio foi feito pelo diretor executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, numa publicação partilhada esta segunda-feira, em que esclarece que a rede social não terá qualquer influência sobre a publicação dos resultados da investigação. “As conclusões serão tornadas públicas sem que seja necessária a nossa aprovação.”

Zuckerberg explica que o objetivo é ouvir o que “académicos de topo” de diferentes países, etnias e géneros têm a dizer sobre “o impacto de redes sociais na democracia e vida política” para “proteger a integridade das eleições em todo o mundo”.

“Olhando para trás, é óbvio que fomos demasiado lentos a identificar fenómenos de interferência eleitoral que ocorreram em 2016 e que precisamos de fazer um trabalho melhor no futuro”, escreve Mark Zuckerberg, definindo como uma das suas prioridades para 2018 “prevenir a interferência e a circulação de informação falsa durante as eleições”. O projeto será financiado por fundações como o Democracy Fund.

A partir desta segunda-feira, os utilizadores do Facebook cuja informação possa ter sido usada pela consultora Cambridge Analytica vão receber notificações, anunciou o diretor técnico da empresa, Mike Schroepfer. Já estará também disponível uma nova funcionalidade que permite aos utilizadores ver que aplicações usa e as informações partilhadas através delas.

Na semana passada, Mark Zuckerberg revelou que os dados de 87 milhões de utilizadores da rede social podem ter sido transmitidos de “maneira inapropriada” à Cambridge Analytica, dos quais 2,7 milhões de cidadãos da União Europeia. Em Portugal, podem ter sido afetadas cerca de 63 mil pessoas, conforme noticiou o Expresso na semana passada.