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Católicos que desvalorizam situação dos migrantes são como “políticos à procura de votos”, diz Papa Francisco

ANDREAS SOLARO/GETTY

O Papa Francisco criticou “alguns católicos” que consideram que a pobreza e a situação dos migrantes é secundária em comparação com “temas 'sérios' da bioética” e afirmou que “a Igreja não precisa de tantos burocratas e funcionários, mas sim de missionários apaixonados”

O Papa Francisco criticou esta segunda-feira “alguns católicos” que consideram que a pobreza e a situação dos migrantes é secundária em comparação com “temas 'sérios' da bioética”, assemelhando-se dessa forma a “políticos à procura de votos”.

“Alguns católicos afirmam que [a situação dos migrantes] é um tema secundário relativamente aos temas 'sérios' da bioética. Que fale assim um político à procura de votos, talvez se possa chegar a compreender; mas não um cristão, cuja única atitude condigna é colocar-se na pele do irmão que arrisca a vida para dar um futuro aos seus filhos”, afirmou o Papa na sua terceira exortação apostólica intitulada “Gaudete et Exsultate” (“alegrar e ser feliz”), que o Vaticano publicou esta segunda-feira.

Na exortação, na qual é abordada “a santidade no mundo contemporâneo” e os seus “riscos, desafios e oportunidades”, Francisco disse que “a Igreja não precisa de tantos burocratas e funcionários, mas sim de missionários apaixonados”, elogiando os religiosos que desvalorizam o conforto e lembrando que qualquer um pode ser santo.

Jorge Bergoglio elogia os “padres, freiras, religiosos e leigos que se dedicam a anunciar e a servir com grande fidelidade, muitas vezes arriscando suas vidas e, certamente, à custa de conforto”, lembrando que “para ser santo não é necessário ser bispo, sacerdote, religioso ou religiosa”, mas que qualquer um o pode ser com o seu comportamento diário.

“Para ser santo, não é necessário ser bispo, sacerdote, religiosa ou religioso. Muitas vezes somos tentados a pensar que a santidade está reservada apenas àqueles que têm possibilidade de se afastar das ocupações comuns, para dedicar muito tempo à oração. Não é assim. Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra”, refere.

O papa Francisco pediu ainda aos cristãos que ajudem os pobres e necessitados. “Não podemos considerar um ideal de santidade quando se ignora a injustiça deste mundo, onde alguns celebram, passam felizes e reduzem suas vidas às novidades do consumo, enquanto outros só olham de fora enquanto sua vida passa e termina miseravelmente”, disse.

Criticou ainda casos em que também os cristãos fazem parte de redes de violência verbal através da internet e vários fóruns ou espaços de intercâmbio digital. “Mesmo nos media católicos, é possível ultrapassar os limites, tolerando-se a difamação e a calúnia e parecendo excluir qualquer ética e respeito pela fama alheia. Gera-se, assim, um dualismo perigoso, porque, nestas redes, dizem-se coisas que não seriam toleráveis na vida pública e procura-se compensar as próprias insatisfações descarregando furiosamente os desejos de vingança”, disse o Papa Francisco, adiantando que por vezes, pretendendo defender outros mandamentos, seja ignorado o oitavo: “não levantar falsos testemunhos”.