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Lula da Silva: “Quanto mais me atacam mais cresce a minha relação com o povo brasileiro”

STRINGER

Lula da Silva discursou pela primeira vez depois de ter falhado o prazo para se entregar às autoridades, o que deverá acontecer ainda este sábado. À saída da sede do Sindicato dos Metalúrgicos, Lula sentiu-se mal e foi visto por um médico

O ex-Presidente brasileiro fez um discurso de quase uma hora nas instalações do Sindicato dos Metalúrgicos onde se tem mantido nos últimos dois dias, depois de falhar o prazo para se entregar às autoridades brasileiras, que esteva marcado para sexta-feira, às 17 horas locais (21h em Portugal).

Lula da Silva desferiu vários ataques contra o juiz Sérgio Moro, que emitiu o mandado de captura contra o antigo Presidente. “Eu pensei que o Moro ia resolver e mentiu. Condenou-me a 9 anos de cadeia”. “Sou o único ser humano processado por um apartamento que não era meu”, acrescentou.

“Sou um cidadão indignado, não os perdoo por terem passado para a sociedade a ideia de que sou um ladrão”, afirmou.

Lula voltou a criticar a Lava Jato, afirmando que a Polícia Federal e o Ministério Público mentiram ao apontá-lo como destinatário do tríplex em Guarujá (SP) reservado e reformado pela empreiteira OAS, motivo da sua condenação. No entanto, o antigo líder do PT declarou que não está contra a Lava Jato.

Depois de vários minutos de agradecimentos aos companheiros do Partido dos Trabalhadores, as palavras mais emocionadas foram para a antiga Presidente Dilma Rousseff, a quem manifestou a sua gratidão: “Sou grato de coração. Não teria sido o presidente que fui se não fosse a companheira Dilma”.

“Há muito tempo atrás eu sonhei que era possível um metalúrgico sem diploma na universidade cuidar mais da educação do que os diplomados e concursados que governaram este país”, disse. “Se foi esse o crime que eu cometi, eu vou continuar sendo criminoso.”

Lula disse ainda que não se esconde e que por isso mesmo vai entregar-se este sábado às autoridades brasileiras. “Eu não estou escondido. Eu vou lá para eles saberem que eu não tenho medo”, afirmou. Para sublinhar que entegar-se não significa render-se, citou uma frase de um autor desconhecido: “Os poderosos podem matar uma rosa, mas jamais poderão deter a chegada da primavera”.

A terminar o seu discurso, Lula convocou os militantes a tornarem-se “novos Lulas” pelo país. “Não adianta eles acharem que vão fazer que eu pare. Eu não pararei, porque eu não sou um ser humano. Eu sou uma ideia”, disse, aplaudido pela multidão.

Lula da Silva é levado em ombros pela multidão

O líder histórico do PP já deixou as instalações do Sindicato dos Metalúrgicos, o seu berço sindical e político, em São Bernardo do Campo, São Paulo. A multidão que escutou e apladiu o seu discurso durante quase uma hora, recebeu-o como um herói. As imagens de televisão mostram alguns apoiantes a limpar lágrimas de comoção, outros erguem flores no ar enquanto gritam palavras de ordem. Ninguém arreda pé do local.

À saída da sede do Sindicato dos Metalúrgicos, Lula sentiu-se mal e foi visto por um médico. Segundo o presidente do instituto Lula, Paulo Okamotto, em declarações ao jornal “O Globo”, o antigo Presidente brasileiro deverá almoçar e descansar um pouco antes de seguir para o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, num carro descaracterizado da Polícia Federal.

Em Curitiba, Lula deverá seguir para a prisão a bordo de um helicóptero.

[Notícia atualizada às 18h15]