Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Libertação de Puigdemont causa tensão entre Espanha e Alemanha

CLEMENS BILAN/EPA

A decisão dos tribunais alemães de deixar Puigdemont em liberdade enquanto aguarda uma decisão sobre o seu futuro foi recebida com incómodo pelas autoridades espanholas. O Governo espanhol, assume no entanto, que irá respeitar as decisões judiciais tomadas quer por Espanha, quer pela Alemanha

A decisão das autoridades alemãs de libertar o líder catalão Carles Puigdemont para aguardar em liberdade se será ou não extraditado para Espanha está a causar desconforto entre os Governos espanhol e alemão.

O diário “El País” aponta as declarações proferidas sexta-feira à noite pela ministra alemã da Justiça, Katarina Barley, que se congratulou com a decisão judicial de libertar Puigdemont, referindo-se-lhe como “absolutamente” correta.

Barley terá sido o único membro do Governo alemão a apoiar a libertação do antigo Presidente da Generalitat da Catalunha, mas foi o suficiente para provocar o desagrado do Governo espanhol, que recordou à ministra alemã que a libertação de Puigdemont é um assunto estritamente judicial e não político.

O ministro espanhol dos Assuntos Exteriores e da Cooperação, Alfonso Dastis, classificou como “infelizes” as declarações da detentora da pasta da Justiça do Governo alemão. Já o presidente do Governo, Mariano Rajoy, foi mais comedido ao manifestar o seu “respeito” por todas as decisões judiciais, tanto espanholas como alemãs, e assegurou que não discutiu o tema da prisão de Puigdemont com a chanceler alemã Angela Merkel. Não o fez, nem pensa vir a fazê-lo porque se trata de uma questão da competência dos tribunais. “Há separação de poderes e os governos não intervêm neste assunto. O tema é absolutamente judicial”, ressalvou.

Rajoy sublinhou ainda que, neste momento, tanto o Supremo Tribunal como a Procuradoria espanhola estão a estudar a possibilidade de recorrer ao Tribunal Europeu.

Puigdemont quer regressar à Bélgica

Entretanto, numa conferência de imprensa realizada este sábado em Berlim, um dia depois de ter sido libertado da prisão, Carles Puigdemont voltou a pedir que se reate o diálogo com Espanha e manifestou a sua intenção de regressar à Bélgica.

“O meu desejo é regressar à Bélgica. Mas apenas depois de terminarem os procedimentos legais aqui na Alemanha, não antes disso.”

Questionado sobre se iria permanecer em Berlim durante o processo, Puigdemont brincou afirmando que “a polícia é que sabe”.

Puigdemont também negou que a sua detenção na Alemanha tenha sido programada, considerando que “não é um obstáculo, nem uma ajuda”.

“Não houve qualquer planeamento desta detenção. O plano era regressar à Bélgica mas as circunstâncias mudaram”, afirmou. “Tentarei usar esta circunstância para continuar a minha luta pela defesa dos meus direitos e dos direitos do povo catalão”.

O ex-líder catalão foi detido no norte da Alemanha a 25 de março, quando seguia da Dinamarca para a Bélgica, onde vive atualmente.

Os tribunais alemães ainda estão a decidir se vão ou não extraditar Puigdemont para Espanha com base em acusações de sedição. Atualmente, está autorizado a sair da Alemanha e obrigado a apresentar-se às autoridades alemãs todas as semanas.