Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

24 horas depois, Lula da Silva entregou-se à polícia

Lula da Silva abandona a pé o edifício do Sindicato dos Metalúrgicos

Reuters

O juiz Sérgio Moro ordenou a Lula da Silva que se entregasse às autoridades até às 21.00 (hora de Lisboa) de sexta-feira. 24 horas depois, o antigo Presidente do Brasil deixou pelo seu pé a sede do Sindicato dos Metalurgícos e entregou-se. Uma escolta de viaturas da Polícia Federal levou-o até ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo, de onde seguirá num avião para a prisão em Curitiba. O ex-presidente está condenado a uma pena de 12 anos.

Os apoiantes de Lula da Silva que durante várias horas impediram a saída do antigo Presidente para se entregar às autoridades, nada puderam fazer para evitar que este saísse a pé das instalações onde se encontrava, e entrasse no veículo da Polícia Federal para ser escoltado até ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo, de onde partirá para Curitiba, local em que deveria ter-se entregue voluntariamente há mais de 24 horas.

O discurso desta tarde parece ter galvanizado os apoiantes de Lula da Silva, que além de não terem desmobilizado bloquearam a saída do antigo Presidente e dos elementos da Polícia Militar que já se encontravam dentro da sede do Sindicato dos Metalúrgicos.

Por volta das 17 horas locais (21h em Portugal), Lula da Silva tentou abandonar o local entrando no veículo da polícia que o levaria até ao aeroporto de Congonhas, mas militantes do PT e apoiantes do antigo Presidente bloquearam a saída do automóvel e Lula teve de voltar para dentro do edifício.

A situação tornou-se mais tensa quando os manifestantes destruíram o portão de acesso à garagem, para impedirem que Lula se entregasse sem problemas. Os líderes sindicais que se encontravam no local tentaram apaziguar os ânimos, mas os apoiantes de Lula da Silva resistiam em obedecer.

Lula esperou no interior do Sindicato

A Presidente do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann subiu, nessa altura, ao palanque onde Lula da Silva discursou esta tarde para pedir aos apoiantes do ex-Presidente brasileiro que o deixassem sair. A resistência do histórico do PT poderia voltar-se contra ele, originando um pedido de prisão preventiva e dificultando os recursos, avisou Gleisi, que alertou ainda os manifestantes para o risco de a polícia chegar e retirá-los à força.

“O que vamos fazer: ficar com Lula preso sem poder recorrer?”, perguntou à multidão.

A Polícia Federal deu um ultimato de 30 minutos para a saída de Lula, ou entraria no edifício, à força. Esta situação, a confirmar-se, seria arriscada para o ex-Presidente que assim poderia perder o direito ao habeas corpus, escreveu a “Folha Online”.O jornal brasileiro escreveu ainda que a cúpula do PT e os advogados de Lula estavam apreensivos com toda a situação.

A Polícia Federal terá negociado que a rendição aconteceria pelas 16h30 locais (20h30 em Portugal) deste sábado, o que só veio a acontecer uma hora e meia mais tarde.

O ex-Presidente aguardou a resolução do impasse numa das salas da direção do Sindicato dos Metalúrgicos e decidiu sair pelo seu próprio pé para integrar a escolta da Polícia Federal.

  • Quantos vão virar Lula?

    Este sábado, 24 horas depois do prazo dado pelo juiz Sérgio Moro, Lula entregou-se finalmente, Deixou pelo seu pé a sede do Sindicato dos Metalurgícos e entrou num carro da Polícia Federal. Horas antes, dirigiu-se aos apoiantes com um marcante discurso político, no qual disse "já não sou um ser humano: sou uma ideia”. Foi o discurso de um líder acossado, mas ainda líder. Tentou tirar o máximo proveito do seu carisma e popularidade. Resta saber se, ao fim de tanto tempo, de tanto mérito e tropeção, o apelo ainda cala fundo em gente que chegue. A análise do editor de Internacional do Expresso