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PM da Malásia dissolve Parlamento e abre caminho a eleições

AHMAD YUSNI / EPA

No meio de um escândalo de corrupção e acusado de favorecer o seu Governo com “truques sujos” para assegurar o cargo, Najib Razak pode ver ameaçada a sua continuidade como primeiro-ministro do país

O primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, anunciou que vai dissolver o Parlamento esta sexta-feira, abrindo assim caminho à convocação de eleições gerais num prazo de 60 dias - eleições essas que podem significar o fim de Najib à frente do Governo. O primeiro-ministro tem sido acusado pela oposição de favorecer a sua própria administração com “truques sujos” para assegurar o cago, que mantém desde 2009.

De acordo com a agência Reuters, o atual primeiro-ministro enfrenta fortes obstáculos: desde 2015 que o líder da coligação que governa o país - a Frente Nacional, da qual faz parte a Organização Nacional para a Unidade Malásia, marcadamente de direita - se viu envolvido num escândalo de alegada corrupção, acusado de desviar milhões de um fundo estatal. Najib tem recusado as acusações, mas o caso está a ser investigado por vários países, como os Estados Unidos e a Suíça.

A sua reeleição poderá estar comprometida devido ao forte descontentamento da população com os inúmeros cortes de subsídios feitos pelo Executivo. Por outro lado, há ainda a ter em conta a candidatura a primeiro-ministro do carismático Mahathir Mohamad, antigo mentor de Najib que governou o país durante 22 anos.

Vários membros da oposição têm ainda acusado o atual primeiro-ministro de favorecer a sua administração na mais recente reconfiguração do mapa eleitoral do país, que Najib justificou como necessária face aos desenvolvimentos demográficos registados nos últimos anos desde a o último acordo de fronteiras, em 2003, entre a Malásia e Singapura.

Ainda esta semana, o Governo de Najib aprovou a polémica legislação, também muito criticada pela oposição, que prevê punir com prisão a partilha e divulgação de 'fake news' (notícias falsas).

As mais recentes propostas de lei - 'fake news' e reconfiguração do mapa eleitoral -, aprovadas à pressa, têm sido descritas como “medidas desesperadas” por vários analistas do país citados pelo britânico “The Guardian”.

O dia marcado para as eleições ainda não foi anunciado mas a Comissão Eleitoral da Malásia espera reunir-se na próxima semana para fixar a data, que não deverá exceder o prazo de 60 dias.