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A ciclista que mostrou o dedo do meio a Trump vai processar a empresa que a despediu

BRENDAN SMIALOWSKI/ AFP/ Getty Images

Há uns meses, Juli levantou duas vezes o dedo do meio a Trump quando passou de bicicleta pela comitiva presidencial. Alguém fotografou e a imagem fez sucesso nas redes. O gesto valeu-lhe ser despedida, mas agora, meses depois, vai processar os antigos patrões

Lembra-se de Juli Briskman? Talvez não. Mas se lhe perguntarmos se se lembra da mulher de bicicleta que levantou duas vezes o dedo do meio a Donald Trump, é possível que a resposta já seja outra. Depois deste episódio com o presidente norte-americana, Juli foi despedida do emprego. Agora, é a vez dela processar a empresa os antigos patrões.

Esta quarta-feira, a mulher de mulher de 50 anos apresentou um processo no tribunal da Virgínia, argumentando que a entidade patronal, a Akima, violou a lei de trabalho estatal, porque a forçou a demitir-se na sequência do mediatismo em torno da foto, refere o jornal britânico “The Guardian”, um dos primeiro órgãos de comunicação que no ano passado, logo após a fotografia ter sido publicada milhares de vezes contou a história de Juli.

“Foi a oportunidade para dizer alguma coisa”, justificou mais tarde. A atitude mereceu críticas, mas também elogios, havendo até quem apoiasse uma candidatura de Juli à Casa Branca, em 2020.

“Não é algo que faça com frequência [mostrar o dedo do meio às pessoas]. Estava ali de bicicleta e, naquele momento, era a única forma de expressar a minha opinião. Não me iria ouvir através de vidro à prova de bala. Só assim podia dizer o que tinha a dizer”, explicou Juli Briskman.

O que nunca pensou foi que aqueles segundos imortalizados numa fotografia tomassem as proporções que tomaram. Juli (@julibriskman) depressa somou mais de 25 mil seguidores no Twitter.

O que aconteceu?

Recuemos até sábado 28 de outubro, 15h12 (20h12 em Portugal Continental). Donald Trump regressava de mais uma partida de golf no Trump National Golf Club, no norte da Virgínia. No caminho de saída do campo, a comitiva do Presidente norte-americano passou por duas pessoas a pé, que apontaram o polegar para baixo em sinal de desagrado. Mais à frente estava Juli Briskman, que levantou a mão esquerda e mostrou o dedo do meio ao líder dos EUA.

A comitiva continuou a andar, mas teve de abrandar por causa de um sinal vermelho. Então, Briskman insistiu, acelerou e pedalou ao máximo até voltar a alcançar Trump. E, uma vez mais, levantou a mão esquerda e mostrou o dedo do meio ao Presidente. Segundos depois, Juli seguiu o seu caminho e virou à direita, enquanto os carros foram para a esquerda.

Quando passei a segunda vez, havia um homem de rosto muito redondo e cabelos brancos a olhar para mim. Não sei quem era, mas ele estava a olhar e eu olhei para ele, que não teve qualquer reação. Estava nervosa porque não sabemos quais as crenças políticas daquelas pessoas que estão na comitiva com ele [Trump]”, recorda Briskman.

Teria sido apenas um encontro caso o momento não tivesse ficado registado em fotografia, partilhada vezes sem conta nas redes sociais e dando origem a um artigo no “The Guardian”. A imagem foi tirada por um jornalista freelancer que costuma cobrir assuntos da Casa Branca.

Segundo fonte da administração norte-americana, é possível que o chefe de Estado nem tenha reparado em Juli Briskman. No relatório da Casa Branca está escrito que “a comitiva do POTUS [Presidente of the United States] partiu do Trump National Golf Club, passou por dois pedestres, um deles colocou o polegar para baixo. Depois, alcançou uma mulher ciclista, que usava uma t-shirt branca e um capacete, que respondeu levantando o dedo do meio”.

Na zona norte daquele Estado, o Presidente não é muito popular. Olhando para as eleições de 2016, os democratas venceram na Virgínia por uma diferença de 5,37 pontos. Este é um dos “swing state”, isto é, Estados oscilantes, cuja preferência varia de eleição para eleição e que, por isso mesmo, são determinantes para o desfecho das presidenciais.