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Internacional

Rússia tenta desacreditar reputação internacional do Reino Unido na ONU

Vladimir Putin preside a reunião no Kremlin (30 Março 2018)

Mikhail Klimentyev

Putin convocou reunião especial do Conselho de Segurança, aproveitando a série de erros do Ministério inglês dos Negócios Estrangeiros e tentando ganhar vantagem diplomática no caso do envenenamento do ex-espião Skripal. Ao contrário das afirmações categóricas do ministro Boris Johnson, especialistas em armas químicas não puderam concluir se amostra analisada era de origem russa

A Rússia tentará esta quinta-feira desacreditar a reputação internacional do Reino Unido no Conselho de Segurança da ONU, na sequência de uma série de erros do Ministério inglês dos Negócios Estrangeiros. A conduta precipitada e errática de Boris Johnson e do seu Ministério levou a acusações de que o Reino Unido tinha exagerado na defesa da tese de que a Rússia era responsável pelo envenenamento do ex-espião Sergei Skripal.

Numa declaração feita na terça-feira, o chefe executivo dos especialistas em armas químicas do Laboratório de Ciência e Tecnologia de Defesa, dependente do governo inglês, afirmou que os testes mostraram que a amostra analisada era de um agente nervoso de categoria militar e da família do novichok, não sendo, no entanto, possível concluir se era de origem russa.

Em entrevista à emissora alemã Deutsche Welle, no mês passado, Boris Johnson disse ter sido informado pelos especialistas de que a Rússia havia sido inequivocamente responsável pelo ataque a Skripal e à sua filha. Sob pressão da embaixada russa em Londres, o Ministério dos Negócios Estrangeiros reconheceu ter apagado um tweet com um conteúdo impreciso semelhante às declarações do ministro da tutela.

Num esforço para ganhar vantagem diplomática, o Presidente Russo, Vladimir Putin, convocou uma reunião especial do Conselho de Segurança, durante a qual irá questionar uma carta enviada à ONU pela primeira-ministra britânica. Na missiva, Theresa May dizia que a Rússia era provavelmente responsável pelo ataque químico.

Os agentes novichok foram desenvolvidos na União Soviética, são mais tóxicos do que outros agentes, mas, segundo o Professor Alastair Hay, da Universidade de Leeds, citado pela BBC, nunca foram declarados à Organização para a Proibição de Armas Químicas nem fizeram parte de qualquer programa de controlo, em parte por causa da incerteza relativamente às suas estruturas químicas. Estes agentes terão, pois, escapado à destruição total das armas químicas na posse da Rússia, anunciada em setembro do ano passado pela organização internacional.

Durante uma visita à Turquia, no início desta semana, Putin pediu uma investigação completa sobre o envenenamento, dizendo que “a velocidade com que a campanha anti-russa foi lançada causa perplexidade”.