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Apoiantes de Lula preparam acções de protesto mas há foguetes e festejos pela sua prisão

UESLEI MARCELINO / Reuters

Ex-Presidente do Brasil Lula da Silva vai ter de se apresentar à polícia até sexta-feira à tarde (20h em Portugal) para ser preso

Ocupar as ruas, manter um cordão humano à volta da casa de Lula ou barricar o ex-Presidente na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, de onde Lula da Silva acompanhou a decisão dos juízes do Supremo que lhe negaram o habeas corpus, são tudo possibilidades em aberto para quem não se conforma com a prisão do ex-Presidente do Brasil. É que este habeas corpus, apesar de não o ilibar de qualquer uma das decisões das duas instâncias que o consideram culpado, iria permitir que ficasse em liberdade enquanto decorresse o seu último recurso.

O líder do Partido dos Trabalhadores (PT, que Lula fundou) na Câmara dos Deputados recorreu às redes sociais para dizer que considera a ação do juiz Sergio Moro, que exigiu que Lula se entregue até sexta-feira à tarde, "um abuso constitucional". Tal como Maria do Rosário, deputada do PT, que vai ainda mais longe e pede que Lula não se entregue em Curitiba: "Moro tem seu despacho de prisão contra Lula pronto há quanto tempo? Inaceitável! O Juiz q persegue trata prazo para se entregar e ñ algemas como concessão. Nada disso! Lula e d advogados decidirão e tem meu apoio, mas ñ creio, por ser inocente, q Lula deva se entregar em Curitiba", escreveu na rede social Twitter.

O Psol (Partido Socialismo e Liberdade) fala em "arbitrariedade" e em politização do sistema judicial.

Mas do outro lado, em vez de críticas há festejos. O Movimento Brasil Livre (MBL), que marcou manifestações na terça-feira contra o habeas corpus para Lula, comemorou o pedido de prisão do ex-Presidente. Afonso Benites, jornalista do "El País" Brasil que está a acompanhar os desenvolvimentos no local, escreve que, logo após ser decretada a prisão de Lula, fogo de artifício estourou nos céus de Brasília.

Num vídeo divulgado nas redes sociais, o pré-candidato à presidência pelo Podemos, o senador Álvaro Dias, diz que é lastimável ver um ex-presidente ser preso mas que é um avanço no caminho da igualdade perante a lei.

  • Ana França

    Durante quatro anos foi correspondente do Expresso em Londres e atualmente integra a redação do semanário em Lisboa. Licenciada em Coimbra seguiu depois para Macau e depois para Londres, cidade onde completou uma pós-graduação na London School of Journalism, em 2010, e de onde já só regressou em 2016. Em 2012 fez parte da equipa que lançou a Monocle 24, o projeto de rádio da revista britânica Monocle. Durante os anos em Londres trabalhou ainda para o diário The Daily Telegraph e para a revista New Statesman. Ao mesmo tempo esteve envolvida em diversos projetos de tradução e no ensino do inglês para cidadãos estrangeiros. Em 2014 e 2015 fez parte da start-up social ON OUR RADAR, um grupo de jornalistas de diferentes nacionalidades que promove a inclusão social através do ensino de conceitos básicos do jornalismo de modo a que até as comunidades mais isoladas do mundo possam contar as suas histórias sem estarem dependentes dos meios de comunicação ocidentais.