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Aliado de Nicolás Maduro lava dinheiro em Andorra

Elisaul Yépez, vice-presidente da companhia estatal venezuelana Bolipuertos, escondeu quase meio milhão de euros em Andorra, em 2011. Pelo menos três políticos já tinham sido acusados de branqueamento de capitais no mesmo país

O vice-presidente da companhia bolivariana de portos (Bolipuertos), Elisaul Yépez, criou uma conta bancária no Banco Privado de Andorra (BPA), em 2011, para poder cobrar supostas “dívidas por serviços prestadas na área aduaneira”. Na verdade, porém, recebeu nela, passados alguns meses, 600 mil dólares (487.646 euros) de uma empresa de Carlos Luis Aguilera, o homem que chefiava os serviços secretos do Presidente Hugo Chávez (1999-2013).

Yépez é suspeito de ter criado empresas fantasma para lavar dinheiro. O jornal espanhol “El País” teve acesso a documentos internos do BPA que expõem os fluxos de dinheiro vindos de Aguilera. Este último foi investigado em 2015 pela Brigada Anticorrupação espanhola por branqueamento de capitais.

Num formulário preenchido em julho de 2011, Yépez exprimiu a ambição de depositar 2,5 milhões de dólares (dois milhões de euros) e de transferir 500 mil dólares (407 mil euros) a cada três meses na sua conta. O vice-presidente da Bolipuertos declarava ter escolhido o BPA por “segurança”. Afirmou ser o beneficiário final e ter conhecimentos relativamente ao branqueamento de capitais.

Yépez apresentou-se ao banco como “licenciado em Administração Aduaneira e Comércio Externo”. Referiu relações comerciais com outro cliente venezuelano do banco: Aguilera. O aliado de Maduro garantiu ao BPA que os seus fundos seriam para “investimentos, transferências e poupanças”.

Empresa fantasma no Panamá

Segundo o jornal venezuelano “Venezuela al Día”, o branqueamento do dinheiro era disfarçado como prestação de serviços de assessoria. Os pagamentos eram feitos através de uma extensa rede de empresas sediadas no Panamá. Yépez criou uma empresa fantasma no país centro-americano, de que era beneficiário em conjunto com a sua mulher, Paola Carolina Delgado Díaz.

Em outubro de 2018 tornou-se vice-presidente de Bolipuertos. A empresa controla sete portos, entre eles os de maior atividade comercial do país, Porto Cabello, no Estado de Carabobo. Antes disso estivera no Serviço Nacional de Administração Aduaneira e Tributária, onde ocupava o cargo de gerente de tributos na região de Los Llanos, desde março de 2017.

Este não é o primeiro caso de lavagem de dinheiro na Venezuela. O presidente do Estado de Carabobo, Rafael Lacava, teve contas na Suiça e em Andorra e participou numa Sociedade de Inversão de Capital Variável, sociedade que permite pagar menos impostos. Nervis Villalobos e Javier Alvarado, antigos vice-ministros da Energia, também tiveram contas no principado.