Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Trump sobre a Síria: “Quero trazer as nossas tropas de volta a casa”

Chris Kleponis / POOL / EPA

Presidente dos Estados Unidos volta a reforçar o seu apoio a uma eventual retirada do exército norte-americano na Síria e quer que o governo tome uma decisão sobre a matéria “o mais rapidamente possível”. E acrescentou que se a Arábia Saudita tem interesse na presença norte-americana na região “talvez tenha de pagar”

O Presidente dos Estados Unidos voltou a dizer que apoia uma retirada das tropas norte-americanas da Síria e quer que o seu governo tome uma decisão "o mais rapidamente possível". "Quero sair [da Síria]. Quero trazer as nossas tropas de volta a casa", disse Donald Trump à margem de uma conferência de imprensa conjunta com os líderes da Letónia, da Lituânia e da Estónia, citado pela emissora árabe "AlJazeera".

"Temos tido muito sucesso face ao Estado Islâmico. E voltaremos a ter sucesso contra quem quer seja militarmente. Mas às vezes é a hora de regressar a casa. E estamos a pensar nisso muito seriamente", acrescentou.

Não é a primeira vez que Trump expressa este "desejo". A semana passada, o Presidente reforçava a sua vontade de abandonar a presença militar norte-americana na região, durante um evento em Ohio. Para o líder dos Estados Unidos, a intervenção na Síria é muito "onerosa para o país" e "ajuda mais outros países do que nos ajuda a nós".

Trump foi ainda mais longe e falou dos custos que a intervenção norte-americana no Médio Oriente têm representado para os Estados Unidos: "Pensem bem nisso, 7 mil milhões de dólares (5.7 mil milhões de euros) num período de 17 anos. E não temos nada [em troca]. Nada para além de mortes e destruição. É uma coisa horrível. Por isso está na altura. Está na altura".

Estas declarações de Trump entram em contradição com a retórica que tem sido mantida por vários responsáveis por cargos governamentais de topo do seu Executivo, que defendem a continuidade da presença das tropas norte-americanas na Síria.

A intervenção dos Estados Unidos na guerra civil síria, com o apoio norte-americano à oposição do regime de Bashar al-Assad e com o propósito de enfraquecer a posição do Estado Islâmico na região, data de setembro de 2014, ainda durante a administração Obama.

Arábia Saudita "tem de pagar" para Estados Unidos permanecerem na Síria

Donald Trump insistiu também na ideia de que se o reino saudita tem interesse em que a intervenção militar norte-americana na Síria continue é preciso pagar. "A Arábia Saudita está muito interessada na nossa decisão. Bem, já sabem, se querem que fiquemos, talvez tenham de nos pagar", acrescentou na mesma conferência de imprensa.

Para o Presidente dos EUA, a "missão principal" do país na Síria é a derrota do Estado Islâmico. Uma vez que "a tarefa está quase completa", afirmou Trump, uma decisão sobre a continuidade dos Estados Unidos na região deve ser tomada "rapidamente".

De acordo com o jornal norte-americano "Politico", Trump esteve na segunda-feira à conversa com o rei saudita para discutir "esforços conjuntos que assegurem a derrota do Estado Islâmico", mas também a tentativa de "contrariar os esforços do Irão no conflito sírio" com o propósito de "desestabilizar as ambições do país na região". Outros assuntos também estiveram em cima da mesa, como a possibilidade de traçar um plano de paz para o conflito israelo-palestino.

No entanto, o comunicado da Casa Branca sobre as conversas entre ambos líderes, divulgado na terça-feira, não faz menção aos alegados "esforços conjuntos" dos dois países na Síria.