Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Duterte insulta comissário de Direitos Humanos da ONU

NOEL CELIS/GETTY

O Presidente das Filipinas chamou ao Alto Comissário das Nações Unidas “cabeça oca” e “filho da p...” depois de este lhe ter sugerido uma “avaliação psicológica”

O Presidente das Filipinas insultou esta quarta-feira o Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos, chamando-lhe "cabeça oca" e "filho da p...", um mês após Zeid Ra'ad al Hussein ter sugerido uma "avaliação psicológica" a Rodrigo Duterte.

"Comissário, filho da p..., preciso de ir ao psiquiatra? O psiquiatra disse: 'o senhor está bem, apenas é arrogante e ordinário. Mas, a quem o critica, diga-lhe que penso que tem a cabeça oca'", disse Duterte, entre risos e aplausos do público, num discurso proferido em Mindoro Oriental.

Levando as mãos ao cabelo, Duterte disse que o diplomata jordano tem "uma grande cabeça".

"Mas está vazia. Não há massa cinzenta entre as suas orelhas. Nem sequer consegue manter os nutrientes para fazer crescer o cabelo e, por isso, está a ficar calvo", lê-se na transcrição do discurso, publicado esta quarta-feira pelo gabinete da Presidência filipina.

As divergências têm origem nas denúncias das Nações Unidas relacionadas com presumíveis execuções extrajudiciais no combate ao tráfico e consumo de droga no país, uma campanha governamental que já provocou mais de 7.000 mortos desde que Duterte chegou ao poder, em junho de 2016.

Em novembro de 2017, Duterte ameaçou "esbofetear" a relatora especial das Nações Unidas sobre Execuções Extrajudiciais, Anne Callamard, por ter criticado a campanha antidroga durante uma visita não oficial às Filipinas.

No início de março deste ano, al-Hussein considerou o comentário de Duterte como "inaceitável" e defendeu que o chefe de Estado filipino precisa de uma avaliação psiquiátrica.

Tais declarações, consideradas pouco usuais na boca de um representante da ONU, desencadearam protestos por parte de Manila, que as considerou "irresponsáveis e desrespeitosas", sustentando que insultar um líder de um Estado-membro da ONU "abre um perigoso precedente" nas Nações Unidas.

No discurso da noite de terça-feira, esta quarta-feira transcrito, Duterte confessou que o "staff" presidencial o desaconselhou a responder a al-Hussein e que, por isso, não o tinha feito até agora. No entanto, salientou, decidiu falar para se "vingar".

A 28 de outubro do ano passado, e segundo a imprensa local, Duterte prometeu deixar de usar palavrões e fazer declarações inconvenientes nos seus discursos depois de afirmar ter recebido instruções de Deus.

"Estava a olhar para o céu quando vinha para aqui. Uma voz disse 'se não paras, faço cair este avião'", contou Duterte, durante um encontro com a imprensa ao regressar de uma viagem oficial de três dias ao Japão.

"Perguntei 'quem fala?'. Claro que era Deus. Assim, prometi a Deus que não voltaria a usar palavrões. Uma promessa a Deus é uma promessa ao povo filipino ", acrescentou.

Conhecido pela retórica agressiva, Duterte, 73 anos, tem sido o centro das atenções em várias ocasiões por aplicar o termo "putang ina" ("filho da p..." em filipino) a personalidades como o próprio Papa Francisco, o antigo presidente norte-americano Barack Obama, representantes da União Europeia (UEE) e outras autoridades mundiais.

Após chegar ao poder, em junho de 2016, Duterte desencadeou uma campanha agressiva para combater o tráfico e consumo de drogas no país, a que está associado também o crime.

Desde então, mais de 4.000 suspeitos foram mortos pela polícia e, segundo estimativas de várias organizações internacionais, outros 3.000 morreram às mãos de civis ou de milícias organizadas localmente.