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Cinco Estrelas rejeita coligação com Força Itália de Berlusconi

O líder do Movimento Cinco Estrelas, Luigi Di Maio, aguarda a votação para o novo Presidente da Câmara de Deputados em Roma, Itália (24 Março 2018).

Franco Origlia

Líder do movimento, Luigi Di Maio, está, ainda assim, aberto ao diálogo com o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, e com a Liga, força de extrema-direita. Presidente da República, Sergio Mattarella, começa esta quarta-feira consultas formais para tentar convencer os partidos a encontrarem uma base comum no sentido de formar governo.

O líder do Movimento Cinco Estrelas, Luigi Di Maio, rejeitou ontem uma coligação com a Força Itália, o partido de Silvio Berlusconi, na véspera do arranque das conversações formais para formar governo.

Em entrevista ao canal de televisão La7, Di Maio revelou que o partido anti-sistema estava aberto ao diálogo com o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, e com a Liga, força de extrema-direita. O dirigente ressalvou, no entanto, que as conversações com o PD não poderiam ter como interlocutor o antigo líder Matteo Renzi. De fora ficará mesmo a Força Itália num volte-face inesperado, uma vez que, até agora, o Cinco Estrelas se mostrara disponível para falar com todos os partidos na sequência das eleições do mês passado.

A recusa de diálogo com o partido de Berlusconi, que ainda não fez qualquer comentário oficial, irá aprofundar a tensão entre a Força Itália e a Liga, parceiros da coligação de centro-direita que conseguiu a maioria dos assentos no Parlamento italiano.

Numa mensagem no Facebook, o líder da Liga, Matteo Salvini, recordou que foi a coligação de centro-direita a obter mais votos, sendo esse o ponto de partida da sua força política. “Dialogaremos com o Cinco Estrelas, mas sem aceitar vetos ou imposições”, acrescentou.

O PD fica agora sob pressão depois de ter adotado uma linha dura – estabelecida por Matteo Renzi, que se demitiu na sequência dos resultados eleitorais – de não considerar um acordo com o Cinco Estrelas. Isso mesmo ficou expresso no tweet de Andrea Marcucci, dirigente do partido: “O PD, de acordo com as decisões tomadas na direção, dirá ao Presidente Mattarella que não estamos disponíveis para nenhum governo que tenha Di Maio ou Salvini como primeiro-ministro. A proposta do líder do Cinco Estrelas é obviamente inadmissível”.

O Presidente da República, Sergio Mattarella, começa esta quarta-feira consultas formais para tentar convencer os partidos a encontrarem uma base comum no sentido de formar governo. Na quinta-feira, Mattarella reúne-se com os principais partidos. No entanto, o processo poderá arrastar-se durante semanas e, caso nenhum acordo seja encontrado, o Presidente poderá ver-se forçado a marcar novas eleições.

Nas eleições de 4 de março, o Cinco Estrelas foi o partido mais votado, seguindo-se o PD. No entanto, em bloco, foi a coligação de direita a conseguir mais votos. Nenhuma das forças tem assentos suficientes para governar sozinha.

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    A campanha para as legislativas que se disputam este domingo em Itália foi dominada pela economia e pela imigração. Um ex-candidato da Liga Norte baleou seis requerentes de asilo. Berlusconi, cujo partido, Força Itália, está coligado com a extrema-direita, voltou à ribalta e poderá ter uma palavra a dizer sobre quem será o próximo primeiro-ministro. Um candidato regional do seu partido fez campanha sentado numa sanita. E uma candidata do partido populista M5S dá o nome mas não dá a cara. Não há maioria qualificada à vista e uma maioria dos italianos está “demasiado deprimida para se preocupar”