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Expresso

Internacional

Myanmar abre as portas às Nações Unidas

Um menino rohingya transporta água, no campo de refugiados de Kutupalong, em Cox's Bazar, Bangladesh

Mohammad Ponir Hossain / Reuters

Uma delegação do Conselho de Segurança da ONU é esperada, ainda este mês, na antiga Birmânia. Ainda não é certo se será autorizada a visitar o estado onde vivem os rohingya e de onde estão a fugir, alvo de uma campanha de perseguição

Margarida Mota

Jornalista

Após meses de resistência, Myanmar (antiga Birmânia) aceitou abrir as portas a uma delegação do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Não é claro, porém, se as autoridades de Rangum irão permitir que os embaixadores se desloquem ao estado do Arracão, onde vive o que resta da minoria muçulmana, após oito meses de perseguição e repressão militar, que forçou milhares a fugir do país.

O embaixador peruano Gustavo Meza-Cuadra, que preside ao Conselho de Segurança durante o mês de abril, disse, na segunda-feira, que o itinerário da visita ainda não é conhecido. “Evidentemente que estamos interessados em ir ao estado do Arracão. Não há melhor do que uma visita ao terreno para perceber” o que se passa.

No Twitter, a visita foi saudada pela ministra dos Negócios Estrangeiros da Suécia, país que, este ano, também integra o Conselho de Segurança da ONU. Segundo Margot Wallström, a visita acontecerá ainda em abril.

A missão da ONU equaciona também um salto ao outro lado da fronteira para uma visita aos campos de refugiados na região de Cox’s Bazar, no Bangladesh, que desde agosto já acolheram cerca de 700 mil rohingya.

As Nações Unidas têm vindo a denunciar um processo de “limpeza étnica” contra os rohingya, neste país de maioria budista, cenário rejeitado pelas autoridades birmanesas, que dizem apenas responderem a ataques. Algumas organizações internacionais vão mais longe e falam já de uma campanha de genocídio.

Myanmar tem sistematicamente rejeitado apelos internacionais para que viabilize a entrada no território de uma missão de investigação mandatada pelas Nações Unidas para apurar factos. Em dezembro, Rangum deu “luz verde” à visita da relatora especial das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a sul-coreana Yanghee Lee, tendo depois recuado nessa abertura.