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Internacional

Um comentador político baleado e outro raptado em Moçambique

“O que é mais chocante nisto tudo é que os autores destes atos sentem que gozam de impunidade, que nada lhes irá acontecer”

O moderador do programa "Pontos de Vista" e administrador do canal moçambicano STV Jeremias Langa considerou esta segunda-feira que o ataque a dois comentadores do programa traduz a impunidade com que grupos obscuros agem.

No passado dia 27, Ericino de Salema, jornalista e comentador do "Pontos de Vista", um programa de comentário muito visto em Moçambique, foi raptado no centro de Maputo e encontrado algumas horas nos arredores da capital, apresentando sinais de agressões nas pernas e no braço esquerdo.

O rapto e agressão a Ericino de Salema segue-se ao baleamento nas pernas, por desconhecidos, do politólogo José Macuane, em maio de 2016, quando na altura era um dos comentadores do "Pontos de Vista".

Em declarações à Lusa, o moderador do programa e administrador na STV declarou que o ataque aos dois moderadores mostra que os autores se sentem impunes.

"O que é mais chocante nisto tudo é que os autores destes atos sentem que gozam de impunidade, que nada lhes irá acontecer", afirmou Jeremias Langa.

Para o responsável, é inadmissível que num estado de direito os cidadãos sejam alvo de violência apenas porque emitem uma opinião.

Ericino de Salema foi raptado à saída do SNJ, onde se deslocou para almoçar no restaurante do local.

O ataque ao jornalista está a ser alvo de forte repúdio em vários quadrantes da sociedade moçambicana e por organizações internacionais de defesa dos direitos humanos, que associam o acontecimento a atos de violência que têm sido infligidos contra vozes críticas à governação da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo).

Em maio de 2016, o politólogo José Macuane também foi raptado e encontrado na mesma zona onde Ericino de Salema foi abandonado pelos raptores, com ferimentos provocados por tiros.