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Sondagem mostra que independentistas catalães perderiam a maioria em novas eleições

PAU BARRENA/ Getty Images

Se não for possível escolher um novo presidente, a legislatura na Catalunha não pode prosseguir e será necessária uma nova consulta popular. Na Catalunha coexistem sentimentos antagónicos: raiva contra os métodos “ditatoriais” do governo de Madrid e um grande cansaço com todo o processo independentista

Ana França

Ana França

Jornalista

Os catalães não se calam. Milhares tomaram as ruas de Barcelona no dia 25 de março como protesto contra a detenção, na Alemanha, do ex-presidente do Governo Regional da Catalunha, Carles Puigdemont, e contra a prisão de cinco políticos independentistas catalães que foram detidos sem direito a fiança. Mas ao mesmo tempo que muitos catalães consideram a atuação do governo de Madrid “exagerada”, “ditatorial” e - sinónimo com especificidade regional - “franquista”, há também indícios de alguma fadiga quanto à situação política: a região não tem governo há três meses. Uma sondagem da empresa NC Report para o jornal "La Razón", realizada durante o mês de março, mostra que as forças independentistas - Juntos pela Catalunha (JxCat), Esquerda Revolucionária da Catalunha (ERC) e Candidatura de Unidade Popular (CUP) - conseguiram 67 assentos no Parlamento na eventualidade de uma nova consulta popular, um deputado a menos do número necessário à maioria e menos três do aqueles que atualmente detêm em coligação.

O Cuidadanos, partido próximo de Mariano Rajoy e defensor da unidade territorial de Espanha, voltaria a ser o partido mais votado, com 25,7% dos votos e mais dois deputados (38) do que os alcançados na eleição de 23 de dezembro.

A ERC ficaria em segundo lugar com 21% dos votos e 31 deputados, um a menos que hoje. O Juntos pela Catalunha perderia dois lugares mas ficaria com 32, e por isso acima da ERC, ainda que apenas por um deputado. A CUP ficaria com os mesmos quatro assentos que hoje detém.

De entre as restantes formações, o Partido Socialista Catalão (PSC) ficaria com 18 deputados (mais um que agora), ou 14,9% do eleitorado. O Partido Popular (pouco popular na Catalunha) mas no poder em Madrid ganharia um deputado com 4,8% do eleitorado e o Catalunya En Comú-Podem (Em Comum Podemos), uma coligação entre o Podemos e o partido de Ada Colau (Catalunya en Comú) , presidente da câmara da Catalunha e outras formações de esquerda que simpatizam com a causa independentista mas não acreditam numa rutura unilateral, perderia um deputado, ficando com sete.

Novas alianças seriam assim essenciais aos soberanistas catalães se quiserem continuar a lutar a lutar por uma Catalunha independente. Uma possibilidade é precisamente com o Catalunya En Comú-Podem, que defendem um governo que agrupe “tolo o catalanismo”. Mas o mesmo podem exigir os constitucionalistas - Socialistas e Cuidadanos - precisamente porque a formação de Xavier Domènech nunca se mostrou tão extremista como o resto das esquerdas e poderia pelo menos sentar-se à mesa na tentativa de encontrar pontos comuns que permitam à Catalunha ter um governo. Com eles, o Cuidadanos lideraria um governo de maioria absoluta: 38 deputados seus, 18 do PSC, cinco do PP e sete do Catalunya En Comú-Podem.

Cuidadanos reforçam posição em Espanha

O bipartidarismo espanhol parece ter chegado ao fim nas últimas eleições: o atual governo de Mariano Rajoy está apoiado numa coligação claudicante de forças políticas mas há mais uma realidade que parece não ser apenas resultado do momento político complicado que se vive no país - e, principalmente, na região autónoma da Catalunha. Uma sondagem do instituto SocioMétrica para o diário "El Español", publicada esta segunda-feira, mostra que o Cuidadanos lidera as intenções de votos dos espanhóis roubando 20 deputados ao Partifo Popular e 30 aos socialistas do PSOE. O partido liderado por Albert Rivera consolida o primeiro lugar com 27,4% das intenções de votos (107 assentos parlamentares), mais do dobro dos 13,1% alcançados nas eleições gerais de 26 de junho de 2016.

O Cuidadanos é também o único dos quatro principais partidos a crescer comparativamente com a última consulta. O PP consegue 21,9% (87 deputados), o PSOE 19,4% (78 deputados) e a coligação Unidos Podemos 16,2% (47 deputados). Em 2016, o PP tinha conseguido 22,03%, o PSOE 22,7% e o Unidos Podemos 21,1%. Ainda segundo a mesma sondagem, os eleitores do Cuidadanos são os mais fiéis: 75,7% dos que votaram neste partido em 2016 continuam com intenção de repetir o voto de confiança. No extremo oposto está o PP com apenas 48,8% de eleitores fiéis. Em três meses, exatamente o tempo que passou desde as últimas eleições na Catalunha, muito mudou. A última sondagem encomendada pelo "El Español" mostra um empate técnico entre os três principais partidos (Cuidadanos, PP e PSOE), que se situavam todos entre os 23% e os 24% de apoio.

A maioria absoluta pode assim estar ao alcance das duas forças políticas mais conservadoras do espectro político espanhol.