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Morreu Winnie Mandela, que “sacrificou a sua vida pela liberdade do país”

Gallo Images/Getty Images

Enquanto Nelson Mandela esteve preso, Winnie, sua ex-mulher, desempenhou um importante papel político, assumindo a liderança do Congresso Nacional Africano (ANC) e tornando-se o rosto da luta contra o apartheid na África do Sul. Acusações de sequestro, fraude e furto viriam a afetar gravemente a sua reputação

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Winnie Madikizela-Mandela, ativista anti-apartheid e segunda mulher do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, morreu no domingo num hospital de Joanesburgo, anunciou o seu porta-voz, Victor Dlamini, segundo o qual Winnie Mandela “lutou corajosamente contra o apartheid e sacrificou a sua vida pela liberdade do país”, tendo ainda “mantido viva a memória do marido, Nelson Mandela, enquanto esteve preso em Robben Island” e ajudado a “dar à luta pela justiça na África do Sul uma das suas faces mais reconhecíveis”.

Winnie e Nelson Mandela casaram-se em 1958, seis anos antes de o antigo presidente da África do Sul ter sido condenado a prisão perpétua por traição. Divorciaram-se em 1996, embora se tenham mantido próximos depois da separação - Winnie chegou a visitar o ex-marido no hospital quando este foi internada com uma infeção pulmonar, em 2013.

Enquanto Mandela esteve preso, de 1964 a 1990, Winnie desempenhou um importante papel político, assumindo a liderança do Congresso Nacional Africano (ANC). Tornou-se assim um símbolo de resistência ao aparthaid, o que lhe valeu o título de “Mãe da Nação”, mas também algumas detenções pelas autoridades. “Sem mim, Mandela não teria existido. O mundo tê-lo-ia esquecido e ele teria morrido na prisão como desejavam as pessoas que o prenderam”, chegou a declarar a antiga primeira dama numa entrevista ao jornal francês “Le Journal du Dimanche”, em 2013.

A sua reputação viria a ser ficar seriamente afetada depois de o seu nome ter sido associado ao sequestro em 1991 de um jovem de 14 anos, Stompie Seipei, que viria a ser assassinado às mãos de um grupo de ativistas e guarda-costas criado em 1985 por Winnie Mandela que operava sob o nome-fachada Mandela United Football Club. Os guarda-costas tinham raptado Seipei, juntamente com três jovens, da casa do líder religioso metodista Paul Verryn.

A ex-mulher de Nelson Mandela foi condenada a seis anos de prisão, que acabaram por reduzir-se a dois anos de pena suspensa e uma multa. Em 1998, a Comissão de Verdade e Reconciliação, responsável por julgar crimes políticos no apartheid, considerou Winnie “politicamente e moralmente culpada de enormes violações dos direitos humanos”.

Nascida em Bizana, em 1936, Nomzamo Winifred Zanyiwe Madizikela, conhecida como Winnie, mudou-se para Joanesburgo onde estudou para ser assistente social. Em 1957, com 21 anos, conheceu Nelson Mandela. Tiveram dois filhos.

Em 2016, Winnie Mandela recebeu a Ordem de Luthuli pela “excelência da sua contribuição na luta pela libertação do povo da África do Sul”.

Winnie Mandela morreu esta segunda-feira, vítima de doença prolongada, confirmou o seu porta-voz, Victor Dlamini. “É com grande tristeza que informamos o público de que a senhora Winnie Madikizela Mandela morreu no hospital de Milkpark de Joanesburgo, esta segunda-feira 2 de abril”, afirmou, acrescentando que a antiga mulher de Nelson Mandela “morreu pacificamente às primeiras horas da tarde de segunda-feira, rodeada da família e dos entes queridos”.