Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Organização separatista ETA reconhece que a “dissolução” está perto

Jasper Juinen / Getty Images

O movimento basco, ao qual são atribuídas 829 mortes em Espanha e em França até 2010, em quatro décadas de luta armada, renunciou definitivamente à violência em 2011, e anunciou o desarmamento em abril de 2017

A organização separatista basca ETA anunciou este domingo estar prestes a concluir o debate sobre a dissolução iniciado entre os seus membros, indica um comunicado divulgado no jornal "Gara", na internet.

"O confronto durou muitas décadas e nestes últimos anos esforçámo-nos por deixar esse ciclo para trás", escreve a organização clandestina, à qual são atribuídas 829 mortes em Espanha e em França, até 2010, em quatro décadas de luta armada.

"Este ano é especial pelo processo de debate que está prestes a ficar concluído", escreve a organização no jornal por ocasião do "Aberri Eguna", o dia que celebra a pátria basca.

A ETA renunciou definitivamente à violência em 2011, e anunciou o desarmamento em abril do 2017. Em seguida anunciou um debate interno sobre o seu futuro, tendo confirmado em fevereiro que pediu aos seus membros para votarem na dissolução.

Segundo várias fontes, a dissolução pode acontecer "antes do verão".

Criada em 1959, em Espanha, na altura da ditadura de Francisco Franco, a ETA iniciou em 1969 uma campanha de atentados, que se intensificaram nos anos 1980, já no tempo de democracia.

A organização, que figurava na lista de grupos terroristas da União Europeia, assegura que não procurava a guerra.

"Eles trouxeram-na para nós e, infelizmente, os bascos viram-se obrigados a pegar em armas", diz-se no comunicado, no qual se acrescenta que "milhares de pessoas estiveram na ETA ou com a ETA" e que no futuro continuarão a lutar pela liberdade do País Basco.

O ministro do Interior da Espanha (Administração Interna), Juan Ignacio Zoido, não reagiu diretamente ao artigo mas disse sobre o terrorismo que não há duas leituras: os assassinos são aqueles que assassinam e as vítimas aquelas que são assassinadas.

Madrid e Paris exigem a dissolução da organização e recusam qualquer negociação sobre o destino dos 250 elementos da ETA (etarras) que estão presos.