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Internacional

Palestina lamenta que Conselho de Segurança não condene “massacre" na Faixa de Gaza

Confrontos em Gaza entre manifestantes e exército israelita mataram 16 palestinianos. Diplomata lamenta falta de apoio da ONU. Israel denuncia manifestações "altamente organizadas" e "violentas"

O embaixador da Palestina na ONU, Riyad Mansour, manifestou-se hoje dececionado com o facto de o Conselho de Segurança não ter condenado o que chamou de "massacre hediondo" de manifestantes pacíficos na Faixa de Gaza.

No final da reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, o diplomata não escondeu o desapontamento pelo desfecho, sobretudo pelo facto de não terem sido tomadas medidas concretas para travar a violência.

O embaixador voltou a condenar Israel, alertando para a falta de proteção da população civil palestiniana.

"Esperamos que o Conselho de Segurança assuma sua responsabilidade" e "trave esta situação volátil, que é claramente uma ameaça à paz e segurança internacionais", disse Mansour.

Pelo seu lado, o embaixador israelita Danny Danon disse que "a comunidade internacional não deve ser enganada" pelo que chamou de "uma manifestação de terror bem organizada e violenta" por parte dos palestinianos, sob o disfarce de uma marcha pacífica.

"Os palestinianos atingiram ainda um ponto muito baixo, tentando usar a ONU para espalhar mentiras sobre Israel", disse Danon, em comunicado.

Alguns membros do Conselho de Segurança sugeriram durante a reunião de emergência que Israel deveria garantir o uso proporcional das suas foças militares. Alguns pediram também aos manifestantes palestinianos que evitassem a violência, segundo relato da Associated Press.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou-se também “profundamente preocupado” com os confrontos na Faixa de Gaza e pediu “uma investigação independente e transparente a estes incidentes.”

Segundo uma nota do seu porta-voz, divulgada na página oficial da ONU, Guterres pede ainda “a todos os envolvidos que se abstenham de qualquer ato que possa causar mais vitimas, em particular quaisquer medidas que possam colocar civis em risco.”

O líder da ONU acredita que “esta tragédia sublinha a necessidade de revitalizar o processo de paz, com o objetivo de criar condições para um regresso das negociações que vão permitir que palestinos e israelitas vivam lado a lado em paz e segurança.”

Na mesma nota, António Guterres volta a afirmar que “a ONU está pronta para ajudar estes esforços.”

O Conselho de Segurança da ONU realizou esta noite uma reunião de emergência sobre o tema, pedida pelo Kuwait, durante o qual o secretário-geral assistente de Assuntos Políticos,Tayé-Brook Zerihoun, avisou que “a situação pode se deteriorar nos próximos dias.”

Zerihoun disse ainda que “Israel deve cumprir as suas responsabilidades segundo a lei internacional humanitária e de direitos humanos” e que “a força letal deve apenas ser usada como último recurso.”

A luta entre milhares de palestinianos na fronteira e os soldados israelitas degenerou na sexta-feira em confrontos com consequências das mais gravosas dos últimos anos. O exército israelita terá matado pelo menos 16 palestinianos e deixou 1400 feridos ao reprimir protestos na Faixa de Gaza.