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Kremlin defende que não foi a Rússia a iniciar uma guerra diplomática

MAXIM SHIPENKOV/ EPA

“O presidente russo, Vladimir Putin, ainda é a favor do desenvolvimento de boas relações com todos os países, incluindo os Estados Unidos”, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov

O Kremlin defendeu este sábado que não foi a Rússia a iniciar uma guerra diplomática, defendendo a decisão de Moscovo de expulsar 60 diplomatas norte-americanos, em retaliação pela expulsão de 60 diplomatas russos nos Estados Unidos.

“Não é a Rússia que se envolveu numa guerra diplomática, não é a Rússia que iniciou uma troca de sanções ou uma expulsão de diplomatas”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em declarações aos jornalistas.

“A Rússia foi forçada a responder aos atos injustos e ilegítimos de Washington”, acrescentou o diplomata, comentando a expulsão de 60 diplomatas russos decretada pelos Estados Unidos na segunda-feira, e o anúncio de que a Casa Branca pondera tomar mais medidas na sequência da expulsão dos norte-americanos na Rússia, na quinta-feira.

“O presidente russo, Vladimir Putin, ainda é a favor do desenvolvimento de boas relações com todos os países, incluindo os Estados Unidos”, concluiu o porta-voz.

Se se acrescentarem as medidas similares tomadas pelo Reino Unido, pela maioria dos Estados membros da União Europeia, bem como pela Ucrânia, Canadá e Austrália, já somam quase 230 os diplomatas que devem ser expulsos em consequência do caso do envenenamento no Reino Unido do ex-espião russo Serguei Skripal.

“Não há qualquer justificação para a reação russa”, destacou a porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Heather Nauert, durante um encontro com jornalistas, na quinta-feira. “Reservamo-nos o direito de responder”, continuou, acrescentando que “as opções estão a ser examinadas”.

Estimou ainda que Moscovo tinha “decidido isolar-se ainda mais”, ao expulsar os diplomatas norte-americanos e encerrar o consulado dos EUA em São Petersburgo, depois de medidas idênticas tomadas por Washington.

Até agora, a Federação Russa anunciou a expulsão de 83 diplomatas ocidentais, aqueles norte-americanos mais 23 britânicos, já expulsos.

“Quanto aos outros países, (a resposta de Moscovo) vai ser idêntica no que respeita ao número de pessoas que vão ter de abandonar a Rússia”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov.

Antes, os EUA e 18 Estados da União Europeia, além de outros Estados ocidentais, anunciaram, desde segunda-feira, 122 expulsões.

Com os 23 russos já expulsos pelo Reino Unido, em 20 de março, são 145 os diplomatas russos que foram objeto de expulsão.

A estes, têm ainda de se acrescentar os sete membros da representação russa na sede da NATO, em Bruxelas, aos quais a Aliança Atlântica anunciou que irá retirar a acreditação.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, indicou que “medidas suplementares, incluindo novas expulsões, não estavam excluídas nos próximos dias e próximas semanas”.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, inquietou-se por a tensão atual entre os EUA e a Federação Russa começar a assemelhar-se à da Guerra Fria.

O ex-espião duplo de origem russa Serguei Skripal, de 66 anos, e a sua filha Yulia, de 33 anos, foram encontrados inconscientes a 04 de março em Salisbury, no sul de Inglaterra, após terem sido envenenados com um componente químico que ataca o sistema nervoso.

O Reino Unido atribuiu o envenenamento à Rússia, que tem desmentido todas as acusações e exigido provas concretas sobre esta alegação.

Em 14 de março, Londres anunciou a expulsão de 23 diplomatas russos do território britânico e o congelamento das relações bilaterais, ao que Moscovo respondeu expulsando 23 diplomatas britânicos e suspendendo a atividade do British Council na Rússia.