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Internacional

Corrupção e tráfico de influências levam Sarkozy a julgamento

Patrick Aventurier/Getty Images

Antigo Presidente francês é acusado de tentar influenciar o juiz que investigava outro caso de financiamento ilegal da sua campanha presidencial, na tentativa de obter informação que estava em segredo de justiça

Nicolas Sarkozy vai mesmo a julgamento - não apenas por um caso, mas por dois, ambos relacionados com o financiamento ilícito da sua campanha presidencial de 2007. O ex-Presidente francês vai ser julgado por corrupção e tráfico de influências no denominado caso das escutas. As informações estão a ser avançadas pela imprensa francesa.

O processo remete para 2014 e tem como base escutas telefónicas que foram obtidas durante as investigações do alegado financiamento da campanha de 2007 com dinheiro do regime líbio de Muhamar Kadafi. Os magistrados descobriram, nessas escutas, conversas entre Sarkozy e o seu amigo e advogado Thierry Herzog nas quais procuravam uma forma de obter informações do juíz do Tribunal de Cassação - uma das mais altas instâncias judiciais francesa - Gilber Azibert.

Na altura, Azibert investigava um outro caso de alegado financiamento ilegal da campanha de 2012 de Sarkozy, que envolvia a herdeira do grupo L'Oreal Liliane Bettencourt.

O antigo chefe de Estado terá realizado consultas com o seu advogado para encontrar formas de obter informações sobre o processo. De essas conversas terão resultado chamadas telefónicas ao juíz Azibert, nas quais Sarkozy oferecia promover o magistrado em troca de informações protegidas por segredo de justiça sobre o caso. Sarkozy terá realizado as chamadas sob o nome falso de "Paul Bismuth".

Tanto Herzog como Azibert também deverão ser julgados no mesmo processo.

Todas as partes envolvidas negam ter cometido qualquer ilegalidade e os advogados de Sarkozy já avançaram que vão recorrer da decisão.

Na semana passada, o ex-Presidente foi detido pelas autoridades francesas para ser interrogado sobre o alegado financiamento da sua campanha presidencial de 2007 com dinheiro do antigo líder líbio Muhamar Kadafi. Este caso será julgado em separado do processo das chamadas telefónicas.