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Incêndio na Sibéria. Membros do Governo russo acusam oposição de se aproveitar de tragédia

ALEXEY DRUZHININ/GETTY IMAGES

“Chegámos à conclusão de que isto foi tudo planeado para descredibilizar o Governo”, afirmou Vladimir Chern, vice-governador da região de Kemerovo, referindo-se à homenagem às vítimas, transformada a dada altura numa manifestação contra o Governo russo e as autoridades locais, que se realizou na terça-feira na cidade onde se deu o incêndio que matou pelo menos 64 pessoas

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Vários membros do Governo russo e comentadores políticos pró-Vladimir Putin acusaram a oposição de estar a aproveitar-se da tragédia ocorrida no domingo passado em Kemerovo, na Sibéria, onde morreram 64 pessoas, entre as quais 41 crianças, vítimas de um incêndio que deflagrou num centro comercial.

“Chegámos à conclusão de que isto foi tudo planeado para descredibilizar o Governo”, afirmou Vladimir Chern, vice-governador da região de Kemerovo, a cerca de 3.600 quilómetros a leste de Moscovo, referindo-se à homenagem às vítimas que se realizou na terça-feira na cidade onde se deu o incidente, transformada a dada altura numa manifestação contra o Governo russo e as autoridades locais. “Muitos dos manifestantes eram jovens entusiasmados… as pessoas participaram [nos protestos] sem perceberem exatamente o que estavam a fazer”, acrescentou o vice-governador. Já na terça-feira, um membro do governo regional, Sergei Tsivilev, havia criticado um homem que, durante a vigília, contou à Reuters como perdeu toda a sua família no incêndio - mulher, irmã e três filhos, com idades entre os dois e os sete anos. “Perdi tudo. Toda a minha família morreu. Não tenho razões para continuar a viver”, afirmou assim Igor Vostrikov, acusado por Sergei Tsivilev de estar a aproveitar-se da tragédia para ter a atenção da imprensa.

Vladimir Putin deslocou-se na terça-feira a Kemerovo para se reunir com o autarca local, Iliá Serediuk, e um grupo de 15 cidadãos que pediram explicações ao Presidente russo depois de terem sido denunciadas várias falhas no centro comercial, nomeadamente no sistema de alarme, que, segundo Alexander Bastrykin, presidente do Comité de Instrução da Rússia, a autoridade judicial do país, estaria avariado desde março, e no sistema de evacuação. Durante o encontro, Putin foi confrontado com uma lista compilada por familiares de vítimas da qual constam 85 nomes de pessoas que continuam desaparecidas, a maioria delas crianças, tendo-se limitado contudo a assegurar que os responsáveis pelo incêndio serão “castigados”.

Os investigadores responsáveis por apurar o que aconteceu denunciaram também que, no momento do incêndio, as saídas de emergência estavam bloqueadas. Cinco pessoas foram entretanto detidas, incluindo o gerente do centro comercial, a quem foi ordenada prisão de dois meses por um tribunal russo. Não se sabe, por enquanto, se algum membro ou membros do governo regional serão também investigados.

O incêndio no centro comercial foi considerado o mais mortífero no país desde 2009, ano em que um fogo num bar matou 156 pessoas. A homenagem às vítimas do incêndio estendeu-se a outras cidades russas, nomeadamente Moscovo e São Petersburgo. Esta quarta-feira o país está em luto nacional.