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Morreu Linda Brown, a menina que aos nove anos começou a mudar a América

Linda Brown (à esquerda) protagonizou um processo na justiça norte-americana que haveria de levar ao fim da segregação no sistema educativo

New York Post Archives/GETTY

Impedida de frequentar uma escola de brancos, Linda Brown protagonizou um processo na justiça norte-americana que haveria de levar ao fim da segregação no sistema educativo. Morreu no domingo, aos 76 anos

Linda Brown, afro-americana defensora da igualdade de raças, faleceu aos 76 anos em Topeka, no Kansas, na tarde de domingo. A noticía foi dada pela sua irmã, Cheryl Brown, acrescentando que a família não iria dar mais depoimentos sobre a morte da irmã.

Linda nasceu e cresceu em Topeka, no Kansas. Quando começou a frequentar a escola primária viu-se obrigada a percorrer vários quilómetros. Desde 1896 que os Estados Unidos da América diferenciavam raças e em Topeka existiam quatro escolas afro-americanas e 18 para americanos. Em 1951, tinha Linda nove anos, foi impedida de frequentar uma escola para brancos.

Oliver Brown, pai de Linda, não se conformou com a situação e avançou com um processo judicial contra o Conselho da Educação do Topeka. Outros casos similares aderiram à causa. A Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP, sigla em inglês) apoiou o manifesto de Brown e, com a ajuda do advogado da Associação, Thurgood Marshall, fez-se história.

A 17 de maio de 1954, o supremo tribunal decretou, por unanimidade, que a separação de crianças brancas e negras era inconstitucional. Esta decisão foi o princípio do fim da segregação no sistema educativo norte-americano.

Numa entrevista dada em 1985, a propósito do documentário “Eyes on the Prize: America’s Civil Rights Years (1954-1965)”, Linda explicou o que motivou o pai a seguir em frente com o caso. “O meu pai era como outros pais pretos de Topeka. Eles não estavam preocupados com a qualidade da educação que as crianças recebiam, eles estavam preocupados com a distância a que as crianças se sujeitavam para receber educação.”

A luta foi longa e a mudança lenta. Citado pelo britânico “The Guardian”, Dale Dennis, o atual vice-comissário da educação do estado do Kansas, considera que o legado de Linda Brown não se restringuiu ao estado, mas antes teve um efeito “inacreditável” na sociedade americana.

Segundo a CNN, o presidente da NAACP considera Linda Brown e “uma jovem heróica que, com a sua família, teve coragem para lutar pelo fim da supremacia dos brancos e pela segregação racial nas escolas públicas”. Acrescenta ainda que “não foi fácil para ela nem para a sua família, mas sacrificou-se para quebrar barreiras e mudar o significado de igualdade neste país”.