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Internacional

Imprensa russa denuncia nova “Guerra Fria”

Thomas Peter/GETTY

Mais de 116 diplomatas foram expulsos de 23 países nas últimas semanas. Imprensa russa compara estas expulsões ao período da Guerra Fria

A imprensa russa considerou terça feira que as expulsões coordenadas de diplomatas russos de 23 países após o envenenamento de um ex-espião russo mergulharam as relações entre Moscovo e o Ocidente num novo "período de Guerra Fria".

O diário Izvestia titula "encenação russofóbica", enquanto o jornal Nezavissimaia Gazeta lembra que "há muito que não se registam expulsões coordenadas".

"A relação entre a Rússia e o Ocidente entra num período de 'Guerra Fria'", resumiu o analista Fiodor Loukianov nas páginas do diário Vedomosti, considerando que as expulsões "são particularmente destrutivas para as relações russo-americanas".

"Está claro que ainda não se chegou ao fim desta escalada, pois é claro que vai ser agravada. Esperam-se medidas ainda mais severas do que as sanções económicas contra a Rússia", previu.

Para o diário Kommersant, as "medidas, de uma gravidade sem precedentes (...), não são mais do que um novo agravamento das relações" entre a Rússia e o Ocidente.

Em sentido contrário, a rádio independente Ekho Moskvy defendeu que toda a política da Rússia "concentra a energia na autodestruição desde 2014", ano da anexação da península ucraniana da Crimeia, seguida por uma série de sanções ocidentais.

Para já, 23 países, 16 deles membros da União Europeia (UEE), decidiram expulsar um total de 116 diplomatas russos, no âmbito das represálias ocidentais após o envenenamento, a 04 deste mês, do ex-espião russo Serguei Skripal em solo britânico, pelo qual Londres responsabiliza Moscovo.

O Kremlin já reagiu e considerou as medidas um "gesto provocador", prometendo responder à altura.

"A Rússia nada tem a ver com essa questão", insistiu Moscovo.