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Internacional

Quase metade dos japoneses querem demissão de primeiro-ministro

TORU YAMANAKA

Novas sondagens divulgadas esta segunda-feira revelam que 48% dos inquiridos defendem que Shinzo Abe e o seu governo devem demitir-se. Em causa está o escândalo de corrupção que envolve a primeira-dama e uma escola privada japonesa, que terá sido alegadamente beneficiada pelo Governo na compra de terrenos do Estado

As últimas sondagens relativas à liderança do primeiro-ministro japonês não trazem boas notícias para Shinzo Abe: o apoio ao chefe de governo caiu para 32.6% - menos 11.7% que os resultados do mês passado - enquanto que a oposição ao seu gabinete subiu para 54.9%. Mais ainda, uma pesquisa de opinião pública promovida pelo jornal japonês "Asahi Shimbun" e divulgada esta segunda-feira revela que 48% dos inquiridos defendem que Abe e o seu Governo devem demitir , revelou a agência Reuters. Um valor significativo face aos 39% dos japoneses que consideram a demissão desnecessária.

Em causa está o escândalo de alegado clientelismo que envolve a mulher de Abe e primeira-dama do Japão, Akie Abe, e que tem ameaçado continuamente o Executivo do marido desde que foi reeleito em 2012.

A primeira-dama japonesa, conhecida por defender causas progressistas - que contrastam com a ideologia conservadora do seu marido - e pelas suas inúmeras intervenções políticas em público, vê-se agora obrigada a optar por um perfil mais discreto face às acusações de corrupção e favorecimento político que têm surgido em torno ao seu nome.

Akie Abe terá, alegadamente, favorecido uma escola privada japonesa, a Moritomo Gakuen, caracterizada também pelo seu ensino marcadamente nacionalista - por exemplo, todos os dias os alunos devem ler partes do Rescrito Imperial sobre a Educação, um documento datado do século XIX imposto nas escolas pelo Império japonês. A primeira-dama, que era simultaneamente diretora honorária duma das escolas desta empresa, terá facilitado a venda de terrenos do Estado à Moritomo Gakuen através da redução do valor da transação.

O escândalo veio a público no ano passado, quando o "Asahi Shimbun" divulgou em fevereiro o documento que dava conta de um acordo entre o Governo e a Moritomo Gakuen relativamente à compra e venda dos terrenos públicos, no qual era visível o envolvimento de Akie Abe.

Dias depois, o ministro das Finanças japonês admitia que todos os documentos da transação teriam sido destruídos e alterados para que o nome de Akie Abe não constasse nos registos.

Atualmente, o assunto não teve ainda o seu desfecho final. Mas o cerco vai apertando: os partidos da oposição reclamam que a primeira-dama japonesa testemunhe no Parlamento sobre as suas alegadas ligações à Moritomo Gakuen e o apoio a Shinzo Abe vai caindo.

O primeiro-ministro opõe-se à comparecência da mulher perante o Parlamento e tem negado reiteradamente que tanto ele como Akie Abe tenham intervindo na venda dos terrenos ou na alteração dos documentos que registam a transação.