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Internacional

Mais de 84 milhões de egípcios chamados a escolher (o mesmo) Presidente

O ex-comandante do Exército egípcio chegou ao poder em 2014, após ter deposto Mohammed Mursi um ano depois de o candidato da Irmandade Muçulmana ter sido eleito nas urnas

Salah Malkawi

O centrista Moussa Mostafa Moussa, tido por alguns como um "fantoche" de Abdel Fattah al-Sisi, é o único outro candidato às eleições para além do atual Presidente, que deverá ser reeleito

Começaram esta quinta-feira os três dias de ida às urnas no Egito para a eleição do próximo Presidente do país. O plebiscito tem um vencedor anunciado à partida, o atual líder, Abdel Fattah al-Sisi, depois de a maioria dos candidatos da oposição terem abandonado a corrida ao poder.

Até quarta-feira, os mais de 84 milhões de eleitores egípcios são chamados a escolher entre Sisi, ex-comandante do Exército, e Moussa Mostafa Moussa, líder do partido Ghad e o outro único candidato nos boletins de voto, que é tido como um "fantoche" do atual líder – uma alegação que o centrista desmente, apesar do seu apoio público a Sisi.

Havia inicialmente sete candidatos à presidência naquele que é o maior país do mundo árabe, mas ao longo das últimas semanas a maioria abandonou a corrida, incluindo o advogado de Direitos Humanos Khalid Ali e o ex-primeiro-ministro Ahmed Shafiq, sob acusações de intimidação.

No final de janeiro, um outro candidato eleitoral, Sami Hafez Anan, que foi chefe de gabinete das Forças Armadas entre 2005 e 2012 (antes de ter sido forçado a reformar-se), foi detido pouco depois de ter anunciado a sua intenção de se candidatar contra Sisi.

Anan era considerado o derradeiro rival do Presidente e o único capaz de roubar suficientes votos ao atual líder, pelo que a sua detenção levou várias figuras da oposição egípcia a pedirem um boicote às eleições. Em reação, o porta-voz de Sisi veio garantir que nenhum candidato foi impedido de concorrer às eleições.

Sisi está no poder desde 2014, na sequência do golpe militar que liderou para depôr Mohammed Mursi, o candidato da Irmandade Muçulmana que venceu as primeiras eleições livres do Egito após a deposição de Hosni Mubarak.

Os eleitores que apoiam o atual Presidente dizem que o seu primeiro mandato trouxe estabilidade ao país no rescaldo da Primavera Árabe que marcou o fim de 30 anos de ditadura. Os críticos acusam-no de, na prática, estar a silenciar todo e qualquer tipo de dissidência, incluindo organizações de Direitos Humanos.

Com o vencedor declarado à partida, a grande questão prende-se com a participação eleitoral, com correspondentes no terreno a dizerem que as autoridades estão empenhadas em chamar o maior número possível de eleitores às urnas apesar do boicote pedido pelos partidos da oposição.

Ontem, horas antes da abertura das urnas, o Ministério do Interior anunciou que a polícia abateu seis alegados militantes do movimento Hasam suspeitos de estarem por trás da tentativa de homicídio de um importante chefe das forças de segurança.

O general Mostafa al-Nemr acabou por escapar ileso ao atentado deste fim de semana, com recurso a um carro armadilhado que os suspeitos detonaram em Alexandria. O ataque vitimou dois agentes da polícia.