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Internacional

Ex-amante de Trump diz ter sido ameaçada para não revelar caso extraconjugal

Joe Raedle

Numa antecipada entrevista televisiva, Stormy Daniels denunciou que foi abordada por um estranho num parque de estacionamento em 2011. “Deixa Trump em paz”, disse-lhe o homem. “Seria uma pena se acontecesse algo à mãe dela”, acrescentou a olhar para a sua filha

A atriz de filmes pornográficos atualmente envolvida numa batalha judicial com o Presidente dos Estados Unidos por causa de um alegado caso extraconjugal entre ambos diz ter sido ameaçada por um alegado defensor de Donald Trump para não revelar que teve relações sexuais com o empresário em 2006.

Em entrevista ao programa 60 Minutos da CBS News, Stormy Daniels revelou que, em 2011, foi abordada por um estranho num parque de estacionamento de Las Vegas, que lhe exigiu que deixasse "Trump em paz" antes de olhar para a sua filha e declarar: "Seria uma pena se acontecesse algo à mãe dela."

A ameaça teve lugar pouco depois de Daniels ter aceitado vender a sua história a uma revista tablóide que acabaria por não avançar com a publicação por causa de alegadas ameaças de Michael Cohen, advogado de longa data de Trump.

Na antecipada entrevista televisiva, transmitida no domingo à noite, Daniels (nome de baptismo Stephanie Clifford) disse que teve relações sexuais com o agora Presidente apenas uma vez num quarto de hotel em Lake Tahoe, na Califórnia, durante um torneio de golfe de celebridades. Esse encontro deu-se em julho de 2006, um ano depois de Trump ter casado com a agora primeira-dama dos EUA, Melania, numa altura em que esta estava a recuperar do parto do filho, Baron.

Trump continua a desmentir o caso extraconjugal, apesar de um dos seus advogados ter desembolsado 130 mil dólares para que a atriz porno, à data com 27 anos, não revelasse o que aconteceu. Neste momento, o Presidente está a exigir à ex-amante 20 milhões de dólares de compensação financeira por ter violado o acordo de confidencialidade por ela assinado antes das eleições de 2016. O advogado de Daniels alega que esse acordo é inválido porque Trump nunca chegou a subscrevê-lo.

Reações

Para já, o Presidente norte-americano ainda não respondeu publicamente às mais recentes alegações. O advogado de Cohen, pelo contrário, disse aos jornalistas do 60 Minutos que o representante legal de Trump nada teve a ver com a ameaça a Daniels e acusou a atriz e o seu advogado de estarem a difamá-lo.

Na entrevista à CBS, a atriz de filmes para adultos disse que aceitou receber 130 mil dólares pelo seu silêncio antes das presidenciais de 2016 porque estava preocupada com a segurança da sua família.

O pagamento foi confirmado por Cohen em fevereiro, com o advogado de Trump a escusar-se a explicar porque é que desembolsou esse valor naquela altura e a garantir que nem a campanha do empresário nem a sua empresa sabiam dessa transação. Os críticos do Presidente dizem que tal pode ter correspondido a uma contribuição eleitoral ilícita.

Outros processos judiciais

Há atualmente outras duas mulheres a lutar contra Trump em tribunal – Karen McDougal, uma antiga modelo da revista "Playboy" que diz ter estado numa relação com o atual Presidente entre 2006 e 2007, e Summer Zervos, ex-concorrente do reality show "The Apprentice" que foi uma das várias mulheres a acusarem Trump de assédio sexual e abusos durante a corrida à Casa Branca.

À semelhança de Stormy Daniels, McDougal também está a contestar a legalidade do acordo de confidencialidade que assinou quando vendeu a sua história ao jornal "National Enquirer" – alega que o acordo é nulo porque o tablóide, detido por um amigo de Trump, nunca chegou a publicar a entrevista.

Zervos abriu um processo judicial por difamação contra o agora Presidente em janeiro de 2017, por alturas da sua tomada de posse, levando os advogados de Trump a alegarem que a imunidade inerente ao cargo o protege de um potencial julgamento. Um juiz de Nova Iorque acabou de rejeitar esse argumento, pelo que o caso interposto por Zervos vai avançar.

A antiga concorrente do programa de televisão criado e apresentado pelo empresário acusa-o de abusar sexualmente dela durante uma reunião num hotel de Beverly Hills em 2007.

Trump, pelo contrário, continua a acusá-la, bem como a todas as outras mulheres com quem teve relações sexuais ou que assediou, de estarem a mentir, dizendo delas que são pessoas "doentes" em busca de fama ou dinheiro – isto apesar do vídeo posto a circular durante a sua candidatura à Casa Branca, no qual é ouvido a gabar-se de agarrar as mulheres pela genitália quando lhe apetece.