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Zuckerberg volta a pedir desculpas. Desta vez usando uma página de publicidade nos jornais

PETER DA SILVA/EPA

Uma semana depois do escândalo ter rebentado, o fundador do Facebook dirige-se aos norte-americanos e ingleses e volta a pedir-lhes desculpa num anúncio de página inteira publicado este domingo em vários jornais americanos e ingleses

A situação não é para menos e Mark Zuckerberg sabe-o. Depois de, na última quarta-feira ter pedido desculpas, numa longa declaração na sua página do Facebook, agora o fundador da rede social volta a pedir perdão pelo uso indevido de dados de pelo menos 50 milhões de utilizadores pela consultora Cambridge Analytica. E fá-lo através de um anúncio, de página inteira, publicado em vários jornais do Reino Unido.

"Temos a responsabilidade de proteger a sua informação. Se não podemos fazê-lo, não a merecemos”, admite Zuckerberg. Nesta carta, o empreendedor de 33 anos, assume que faltou à confiança dos utilizadores do Facebook ao permitir que uma app (aplicação), desenvolvida por Aleksandr Kogan, professor da Universidade de Cambridge (Reino Unido), tivesse acesso a dados de usuários para serem utilizados, sem o seu consentimento, pela consultora Cambridge Analytica para influenciarem as intenções de voto nas eleições presidenciais norte-americanas, em 2016, a favor de Donald Trump. Especula-se ainda sobre a utilização dos mesmos métodos aquando da campanha para o referendo que ditou o 'Brexit', no Reino Unido. Zuckerberg lamenta agora ter "feito mais sobre isso". E garante: “Estamos a tomar as medidas necessárias para que isso não aconteça novamente”, refere.

Este anúncio foi publicado em jornais norte-americanos, como o "New York Times" (que deu a história em primeira mão), "The Washington Post" e "Wall Street Journal". E, no Reino Unido, foi publicado no "The Observer", o primeiro meio britânico a contar a história.

A publicação desta missiva acontece um dia depois de as autoridades inglesas terem feito buscas, durante sete horas, às instalações da Cambridge Analytica em Londres à procura de provas.

A meio da semana, Zuckerberg já tinha admitido culpas e admitido mesmo que estava disponível para depor perante o Congresso norte-americano. Contudo, nem reguladores, nem consumidores nem os mercados consideraram esta resposta suficiente. E o desempenho do Facebook, a sétima cotada mais valiosa do mundo, foi severamente castigado ao longo da semana, desvalorizando perto de 75 mil milhões de dólares (cerca de 61 mil milhões de euros). Comissão Europeia e Parlamento britânico continuam a querer ouvir o multimilionário.

Zuckerberg afirma que o Facebook fornecerá aos utilizadores mais informações sobre quem pode aceder aos seus dados.

“Obrigado por acreditarem nesta comunidade, prometo fazer melhor por vocês”, afirma o fundador do Facebook, antes de deixar gravada a sua assinatura.