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Puigdemont, detido numa prisão alemã, será presente a juiz esta segunda-feira

JAVIER BARBANCHO / Reuters

A polícia alemã confirmou a detenção do ex-presidente da Catalunha, na fronteira com a Dinamarca. Enquanto Puigdemont aguarda, detido, na cadeia de Neumünster, pelas ruas de Barcelona marcham milhares de manifestantes contra a sua detenção

Carles Puigdemont, detido este domingo na Alemanha junto à fronteira com a Dinamarca, vai ser presente na segunda-feira a um juiz para confirmação da identificação, anunciaram esta tarde as autoridades alemãs. Segundo avança o "El País", o ex-presidente do Governo Regional da Catalunha aguarda pelos trâmites judiciais, detido no estabelecimento prisional de Neumünster, uma cidade a 340 quilómetros de Berlim.

“O objetivo será apenas o de verificar a identidade da pessoa detida. O Tribunal Regional de Schleswig-Holstein, em Schleswig, terá depois de decidir se o Sr. Puigdemont deve ser detido para ser entregue a Espanha", refere um promotor público alemão, em comunicado, citado pela agência de notícias francesa AFP.

Esta tarde, centenas de pessoas manifestam-se nas ruas de Barcelona contra a detenção de Puigdemont.

Carles Puigdemont foi detido pela polícia alemã quando viajava de carro a partir da Dinamarca. O advogado do ex-presidente do governo regional da Catalunha, Juame Alonso-Cuevillas, foi informado que Puigdemont foi detido no Estado de Scheleswig-Holstein, o único com fronteira com a Dinamarca e confirma que o ex-presidente da la Generalitat está detido pela polícia alemã. Puigemont acabara de cruzar a fronteira, quando seguia na estrada em direção a Hamburgo, a partir da qual tinha intenção de regressar a Bruxelas.

A polícia alemã já confirmou a detenção de Puigdemont na autoestrada A7, por onde entrou desde a fronteira com a Dinamarca. Foi detido às 11h19 (hora local), revelou o porta-voz da polícia de Schleswig-Holstein, Uwe Keller.

O Código Penal alemão prevê penas que vão de dez anos a prisão perpétua para crimes similares aos que são imputados em Espanha a Puigdemont.

No sábado, através da rede social Twitter, o ex-presidente do governo regional da Catalunha tinha afirmado que vai "lutar até ao fim" por todos aqueles que considera "reféns de um Estado repressor" e pela "liberdade na Catalunha".

O Supremo Tribunal espanhol decidiu na sexta-feira aplicar prisão efetiva sem fiança a cinco políticos independentistas catalães, acusados de delito de rebelião, no quadro da tentativa de criação de uma república independente na Catalunha.

O ex-presidente da Generalitat, refugiado há alguns meses na Bélgica, deslocou-se nos últimos dias a Helsínquia para dar uma conferência, uma deslocação destinada a internacionalizar o processo independentista da Catalunha.

À disposição da justiça

De manhã, Juame Alonso-Cuevillas, advogado do ex-presidente do governo regional da Catalunha Carles Puigdemont tinha dito que não sabia “exatamente onde está” o dirigente independentista.

O advogado Jaume Alonso-Cuevillas afirmou no sábado - dia para o qual estava marcada a segunda votação para eleger o governo regional catalão, mas que não se realizou devido à detenção de cinco dirigentes independentistas – que Puigdemont ia apresentar-se à polícia finlandesa, na sequência do mandado de detenção europeu emitido pela Justiça espanhola.

Horas depois, no entanto, publicou uma mensagem na rede social Twitter, em que afirmava que o ex-presidente da Generalitat já não estava na Finlândia, mas que estava à disposição da Justiça belga.

“Confirmo que o presidente Puigdemont já não está na Finlândia. Continuará, como sempre, à disposição da Justiça belga, onde tem residência fixa”, referia a mensagem do advogado sem esclarecer se o seu cliente regressou à Bélgica.

Em entrevista hoje à rádio catalã Rac1, Alonso-Cuevillas admitiu que, “neste momento”, não sabe “exatamente onde está Puigdemont” e se este abandonou a Finlândia “antes do previsto devido ao mandado europeu”.

Segundo referiu no sábado o deputado finlandês Mikko Karna, um dos anfitriões de Puigdemont na Finlândia, o ex-candidato independentista abandonou aquele país nórdico na sexta-feira à noite e dirigiu-se à Bélgica “por meios desconhecidos”.

De acordo com as autoridades finlandesas, todos os portos e aeroportos do país estiveram sob vigilância no sábado e Puigdemont foi procurado, durante todo o dia, para cumprimento do mandado de detenção, assinado pelo juiz do Supremo Tribunal espanhol Pablo Llarena.