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Descodificador: se ninguém conduz, de quem é a culpa?

Imagem de vídeo gravado a partir do interior de um veículo de condução autónoma, esta quarta-feira, em Tempe, Arizona, EUA

reuters

Atropelamento mortal de uma pessoa nos Estados Unidos relança o debate sobre a segurança dos sistemas de condução autónoma. Há construtores a suspender os testes

Os automóveis com condução autónoma são seguros?

A maior segurança e comodidade são apontadas como principais razões para o desenvolvimento de sistemas de ajuda à condução, mas os acontecimentos do último domingo puseram em causa a condução autónoma. O atropelamento mortal de uma cidadã norte-americana em Tempe, no Arizona, relançou o debate em torno do trabalho desenvolvido nos últimos anos. Se os defensores da chegada de veículos sem condutor ao mercado apontam para a baixa sinistralidade destes automóveis, os mais céticos expressam que os modelos de teste não circulam nas mesmas condições que os tradicionais (com más condições climatéricas ou em estradas menos seguras).

Quem está a desenvolvê-los?

São vários os construtores automóveis e empresas tecnológicas a desenvolver tecnologias de condução autónoma e é da parceria entre ambas que surgem alguns projetos. É esse o caso do carro da Volvo com tecnologia Uber envolvido no acidente mortal de domingo, que já levou à suspensão de diversos programas de testes. A Uber suspendeu as quatro operações de condução autónoma que tinha na América do Norte e a Toyota parou a investigação em estrada aberta (mas vai continuar com os trabalhos em pista), mas também há quem mantenha os planos iniciais. As norte-americanas Ford e General Motors partilham da visão da BMW e da Nissan (em parceria com a Renault e a Mitsubishi) e optaram por manter os testes. Elon Musk, da Tesla, considera que 2020 será o ano dos carros autónomos.

Em caso de acidente, de quem é a culpa?

A chegada de automóveis com condução autónoma às estradas vai trazer novos desafios para a sociedade e é também na definição das responsabilidades em caso de sinistro que poderá haver mudanças. Se um automóvel for completamente autónomo, o humano no lugar do condutor não poderá ser responsabilizado por qualquer decisão do veículo, pelo que caberá ao construtor ou empresa responsável pela tecnologia assumir a culpa. Os fabricantes prometem que caminhamos para o fim dos acidentes, mas ainda não chegámos a esse momento. Os analistas consideram que a disponibilização de todas as informações (captadas por sensores e câmaras) será fulcral para a confiança nestes veículos.

Os carros autónomos já circulam nas estradas portuguesas?

Os primeiros testes ainda não arrancaram, mas está previsto que os primeiros veículos autónomos cheguem às estradas portuguesas já este ano. O início dos ensaios do projeto AutoCITS estará marcado para outubro e acontecerá numa parte da A9/CREL — numa faixa de sete quilómetros entre a Avenida Marginal e o cruzamento com a A16 —, na Grande Lisboa. Em Portugal, o Código da Estrada ainda não permite veículos autónomos em vias públicas abertas à circulação de tráfego, mas as autoridades estão a estudar quais as alterações a fazer para que estes novos veículos possam circular no futuro.