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China garante: “Não temos medo de uma guerra comercial"

Xi Jinping e Donald Trump durante a visita do presidente americano à China em novembro passado

JIM WATSON/GETTY

Xi Jinping sublinhou na quinta-feira que as novas taxas aduaneiras impostas por Donald Trump sobre produtos importados da China, no valor de 60 mil milhões de dólares anuais, "abrem um muito mau precedente" no comércio global. Em retaliação, Pequim já anunciou que vai aplicar tarifas de três mil milhões de dólares sobre exportações norte-americanas “para compensar as perdas”

O governo chinês garantiu esta sexta-feira que não quer envolver-se numa guerra comercial com os Estados Unidos, mas sublinhou que "não tem medo" disso, ao anunciar a sua primeira resposta a um pacote de taxas aduaneiras que a administração de Donald Trump vai aplicar sobre produtos importados da China, de até 60 mil milhões de dólares anuais.

O pacote de impostos sobre importações chinesas vem pôr em prática uma das promessas de campanha de Trump, que acusa desde sempre Pequim de concorrência desleal e de alegado roubo de propriedade intelectual a empresas norte-americanas.

Reagindo às tarifas na quinta-feira anunciadas pela administração Trump, Pequim acusou os EUA de estarem a "abrir um muito mau precendente" com impostas que "não são favoráveis aos interesses globais". Em comunicado, o Ministério do Comércio do governo de Xi Jinping sublinhou a "confiança" nas "capacidades [dos chineses] de enfrentarem qualquer desafio" desta natureza.

"A China não vai ficar sentada de braços cruzados sem fazer nada para proteger os seus direitos e interesses legítimos", sublinhou o Ministério, garantindo estar "totalmente preparado" para defender esses interesses – a começar com a aplicação de tarifas de 3 mil milhões de dólares sobre produtos importados dos EUA, em resposta às taxas sobre as importações de aço e alumínio anunciadas pela administração Trump no início de março e que entram em vigor esta semana.

No mesmo comunicado, o governo de Xi disse que, apesar de tudo, guarda a esperança de que a administração Trump não destrua as relações bilaterais económicas e comerciais com mais medidas como estas.

A senda protecionista de Trump e os receios de uma iminente guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo têm gerado nervosismo entre muitas empresas dos EUA e já estão a fazer-se sentir em bolsa, com os mercados asiáticos a fecharem esta sexta-feira em queda depois de o Ministério do Comércio ter apresentado uma lista de produtos importados dos EUA que poderão passar a ser taxados para "compensar as perdas" chinesas.

Neste momento, e segundo a estratégia de ação delineada, Pequim está a considerar aplicar tarifas aduaneiras sobre a carne de porco, vinho, fruta, frutos secos e tubos de aço inoxidável que compra aos EUA todos os anos.

O plano de resposta à frente de guerra aberta por Trump passa por aplicar um imposto de 15% sobre 120 bens de consumo que totalizam quase mil milhões de dólares de importações anuais e uma taxa de 25% sobre oito bens que correspondem a quase dois mil milhões de dólares de exportações anuais dos EUA para a China.

Por ano, os EUA importam muito mais bens à China do que aqueles que são exportados pelos norte-americanos para o país, o que em 2017 levou o défice da balança comercial a subir para os 375 mil milhões de dólares. Na quinta-feira, ao anunciar oficialmente o novo pacote de taxas aduaneiras, Trump disse que já pediu a Xi que baixe esse défice em 100 mil milhões "imediatamente".