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Catalunha: Supremo acusa 13 separatistas de delitos de rebelião

PAU BARRENA/ Getty Images

Tentativa de criação de uma República Independente da Cataulunha leva, quando meses depois, à acusação de 13 separatistas por rebelião. Marta Rovira anunciou a sua saída de Espanha, para o exílio

O Supremo Tribunal espanhol acusou esta sexta-feira de delito de rebelião 13 separatistas pela sua participação no processo de independência da Catalunha, entre os quais o ex-presidente do executivo regional Carles Puigdemont, refugiado na Bélgica.

O juiz responsável pela instrução do caso, Pablo Llarena, avança com as acusações quatro meses depois do início da investigação à tentativa de organizar a criação de uma República independente na Catalunha.

Foram ainda acusados do crime de rebelião o ex-presidente do Governo regional Oriol Junqueras, a ex-presidente do parlamento regional Carme Forcadell, e os independentistas Jordi Sanchez e Jordi Cuixart, assim como a líder da Esquerda Republicana da Catalunha Marta Rovira, que hoje faltou à audiência marcada e anunciou que se exilava.

O juiz afirma que os políticos separatistas catalães e os líderes independentistas de várias associações atuaram em conluio nos últimos seis anos para executar um plano que levava a uma declaração de independência da Catalunha, contra a Constituição espanhola.

Llarena considera que, ao todo, 25 independentistas vão ter de responder por delitos de rebelião, desobediência ou peculato (desvio de fundos públicos).

Os 13 acusados de rebelião podem ter de cumprir uma pena de prisão que pode ir até 30 anos de cadeia.

Carles Puigdemont é acusado de ter organizado o referendo de autodeterminação de 01 de outubro de 20017 apesar de este ter sido proibido e de haver “o risco grave de incidentes violentos”.

O candidato à presidência que não conseguiu ser eleito na quinta-feira para o lugar, Jordi Turull é acusado pelo seu papel na gestão da publicidade e da coordenação informática do referendo, assim como no recrutamento de milhares de voluntários que realizaram a consulta.

Por outro lado, o juiz atribuiu o crime de “desobediência” e/ou peculato a outros 12 dos 25 acusados, entre eles três dos sete que estão fugidos à justiça: Anna Gabriel (CUP), Lluís Puig (PDeCat) y Meritxel Serret (ERC).

Entretanto, um dos seis convocados para se apresentarem esta manhã no Supremo, Marta Rovira faltou à audiência e anunciou que também abandona o território espanhol, segundo uma carta que escreveu aos militantes do seu partido.

“O exílio será um caminho duro, mas é a única forma que tenho para recuperar a minha voz política”, afirma na missiva a secretária-geral da Esquerda Revolucionária da Catalunha (socialista independentista).

O juiz ainda irá decidir esta sexta-feira se algum dos cinco separatistas que se apresentaram esta manhã em tribunal vai ficar detido, como medida cautelar, à espera do julgamento.

Cinco dos separatistas catalães, entre os quais Puigdemont, estão na Bélgica, para onde fugiram em finais de outubro de 2017 depois de falharem a tentativa de independência.

Outra independentista, Anna Gabriel, do partido de extrema-esquerda antissistema CUP, fugiu no início do ano para Genebra, na Suíça.

A 27 de outubro de 2017, Madrid decidiu intervir na Comunidade Autónoma, através da dissolução do parlamento regional, da destituição do executivo regional e da convocação de eleições regionais que se realizaram a 21 de dezembro último.

O bloco de partidos independentistas manteve uma maioria de deputados no parlamento regional e está a ter dificuldades para formar um novo executivo.