Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Líderes europeus discutem tarifas de Trump e Brexit e ouvem Centeno

epa

Estas quinta e sexta-feira são dias de agenda cheia, com reuniões a 28 para falar de comércio e de Rússia, a 27 para decidir “as orientações” da futura parceria com o Reino Unido e a 19 para falar da Reforma da Zona Euro

Os Vinte e Oito continuam sem saber se vão ou não ficar isentos das tarifas que Trump decretou para as importações de alumínio e aço. A possível "guerra comercial" entre os dois lados do Atlântico é o primeiro item na agenda dos líderes europeus, que se reúnem esta quinta e sexta-feiras em Bruxelas.

"Temos de estar prontos para todos os cenários", diz a carta que o Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, enviou aos líderes europeus. As medidas de resposta e retaliação - incluindo uma lista de produtos americanos que podem ser alvo de tarifas - estão prontas, caso os EUA não recuem na intenção de aplicar tarifas ao alumínio e aço europeus.

reuters

Uma posição firme, mas cuidadosa, para não hostilizar demasiado Donald Trump nem complicar ainda mais as relações com a nova administração, que, desde que tomou posse, pôs em coma as negociações para um Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio.

Na carta que antecipa a Cimeira, Tusk refere-se "aos amigos americanos", recorda os efeitos nefastos da guerra comercial desencadeada em 1930, quando os EUA avançaram com tarifas, e sublinha que "as relações transatlânticas são a pedra angular da segurança e prosperidade tanto para os Estados Unidos como para a União Europeia".

Na reunião desta quinta-feira, os Vinte e Oito deverão reafirmar o apoio à estratégia da Comissão Europeia, que continua em diálogo com Washington para que a UE fique isenta das tarifas, à semelhança de México e Canadá.

A Comissária com a pasta do Comércio, Cecilia Malmstrom, está na capital norte-americana e já se reuniu com o Secretário de Estado do Comércio, Wilbur Ross. "Concordámos em lançar de imediato um processo de discussão com o Presidente Trump e a sua administração sobre questões comerciais de interesse mútuo, incluindo aço e alumínio, com vista a identificar soluções o mais rapidamente possível", disse a Comissão Europeia em comunicado.

Os líderes esperam ainda convencer Trump pelo diálogo, mas avisam-no de que estão prontos para responder de forma mais assertiva - em sintonia com outros países e no âmbito da Organização Mundial de Comércio - caso falhem as conversações lideradas pela Comissária Cecillia Malmstrom.

reuters

Líderes deverão aprovar as "linhas orientadoras" da futura parceria com o Reino Unido

Na sexta-feira, a reunião começa sem a primeira-ministra britânica na sala. Os líderes vão discutir o Brexit e espera-se que aprovem as "as linhas orientadoras" da futura parceria com o Reino Unido (RU). É o mandato que falta ao negociador europeu, Michel Barnier, para começar a discutir o enquadramento da relação futura entre UE e RU.

Uma discussão há muito pedida por Londres, que poderá começar a dar os primeiros passos nos próximos meses, mas que só deverá materializar-se num acordo após a saída do Reino Unido, a 29 de março de 2019. Até lá, os dois lados deverão chegar a uma "declaração política sobre o futuro" que acompanhará o acordo de saída.

Também é expectável que os Vinte e Sete aprovem o "entendimento político" para um período de transição pós-Brexit, saído das negociações técnicas que terminaram na segunda-feira. Mas sobre este ponto ainda não há certezas.

Alguns países terão ainda "preocupações" quanto ao acordo alcançado pelas equipas técnicas, que dá a Londres a possibilidade de começar a negociar - e também assinar - acordos com países terceiros durante esse tempo de transição, ainda que só possam entrar em vigor em 2021.

Um período de transição que começaria a 30 de março do próximo ano e terminaria no último dia de 2020, durante o qual os britânicos já não seriam Estado Membro, mas poderiam continuar a beneficiar do Mercado Único.

Caso os líderes deem "luz verde" ao trabalho das equipas de negociação, fica assegurado que os cidadãos europeus que chegarem a Londres entre março de 2019 e final de 2020 terão os mesmos direitos e garantias que os cidadãos que chegarem antes do Brexit.

Centeno "estreia-se" entre os líderes

O Presidente do Eurogrupo vai estar em Bruxelas nos dois dias de Cimeira. Logo na quinta-feira, antes do jantar, vai ser convidado para entrar na sala e falar aos 28. "É muito importante para Tusk que a informação dos progressos sobre a União Bancária passe para os Vinte e Oito líderes", adianta um alto responsável do Conselho Europeu.

Na sexta-feira, Mário Centeno vai voltar a entrar na sala durante a reunião dos 19 países da Moeda Única. A "Cimeira do Euro" pedida pelo presidente francês, Emmanuel Macron, deverá servir para uma troca de ideias sobre o futuro da União Económica e Monetária. Uma discussão mais de longo-prazo, que deverá estar direcionada para a controversa questão da dimensão orçamental da Zona Euro.

Macron é defensor de um orçamento para a Área do Euro. Uma posição que tem sido também apoiada pelo primeiro-ministro António Costa e por outros Governos, mas que não é acompanhada por todos, levantado várias divergências quanto à forma de concretizar uma componente orçamental.

Para já o objetivo é colocar o assunto em cima da mesa e não deixar que morra. No entanto, a reunião deverá ficar pela troca de impressões. Não se espera qualquer conclusão ou documento escrito sobre o for discutido na sala

Rússia e Salisbury também na agenda

Ainda na quinta-feira, haverá uma discussão sobre taxação. Na agenda estão também a Rússia e o ataque em Salisbury contra um ex-espião russo e a filha. Theresa May deverá atualizar os colegas sobre o incidente em solo britânico.

Os líderes deverão "expressar solidariedade" para com o Reino Unido e falar de "possíveis implicações", mas, de acordo com fontes do Conselho Europeu, não se espera, para já, qualquer avanço para novas sanções contra Moscovo.

O ataque com gás neurotóxico contra Sergei and Yulia Skripal levanta ainda questões de segurança no seio da UE. "Proponho um fortalecimento da nossa resiliência aos riscos químicos, biológicos e nucleares, incluindo uma cooperação mais estreita entre instituições europeias, Estados e a NATO", adianta Tusk na carta enviada aos líderes.