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Internacional

Índia e Brasil preocupados com interferências da Cambridge Analytica nas suas próximas eleições

No Brasil, com presidenciais marcadas para outubro, foi aberto um inquérito civil para apurar a conduta da empresa britânica no país. E o Governo da Índia lançou um aviso: “Não vamos tolerar que empresas estrangeiras utilizem as redes sociais para influenciar o processo eleitoral”, que acontecerá em 2019

Se a porta da desconfiança estava entreaberta, agora está escancarada. A polémica que envolve a Cambridge Analytica (CA) e o Facebook continua na ordem do dia e as proporções do esquema descoberto alargam-se a outras geografias e áreas de negócio, ameaçando, em última análise, a popularidade desta rede social entre os próprios utilizadores individuais.

Se, por um lado, os anunciantes vieram a público dizer que “já chega”, avisando o CEO Mark Zuckerberg de que não gastarão mais dinheiro no Facebook se este não garantir a defesa dos dados dos seus utilizadores; por outro, sucedem-se, aos milhares, os cancelamentos de contas nesta rede social (esta quarta-feira a hashtag #DeleteFacebook apareceu mais de 10 mil vezes no Twitter no curto intervalo de duas horas, escreve “The New York Times).

Há também, é claro, as ramificações políticas do caso, com suspeitas de que a CA se preparava para interferir em eleições futuras (pelo menos) na Índia, Brasil e Estados Unidos. Este outono os brasileiros votam em presidenciais e os norte-americanos em legislativas. No ano que vem serão os indianos (a maior democracia do mundo em termos de população) a ir às urnas para eleger o Parlamento.

Depois de se saber que a britânica CA, criada em 2013, acedeu de forma indevida aos dados de 50 milhões de utilizadores do Facebook, com vista à eleição de Donald Trump, a preocupação quanto a eventuais outros esquemas para repetir a estratégia provocou reações veementes.

No Brasil, o Ministério Público do Distrito Federal e Teritórios abriu um inquérito civil para apurar a conduta da empresa no país, onde a CA está implantada desde 2017, em parceria com outra consultora. O objetivo é saber se os dados dos brasileiros foram também “devassados”, atendendo à proximidade de eleições, marcadas para outubro deste ano.

“Sr. Mark Zuckerberg, é melhor considerar o aviso”

Na Índia, as eleições nacionais acontecerão um pouco mais tarde, na primeira metade de 2019, mas a preocupação quanto à eventualidade de uma interferência externa já se sente. “A Índia não tolerará que empresas estrangeiras utilizem as redes sociais para influenciar as eleições”, declarou aos jornalistas o ministro da Informação e Tecnologia do país, Ravi Shankar Prasad, que também partilhou esta ideia através da rede social Twitter.

“Sr. Mark Zuckerberg, é melhor considerar o aviso”, acrescentou Shankar, classificando o assunto como de “interesse e segurança” nacional. “Se for detetado qualquer roubo de dados em conluio com os sistemas do Facebook, isso não será tolerado”, insistiu, acusando ainda o Congresso Nacional Indiano, principal partido da oposição, de ter ligações à CA.

Cinco dias após o The New York Times” e o “The Guardian” terem denunciado o esquema da empresa, o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, admitiu que a rede social cometeu erros e pediu desculpa, reconhecendo a gravidade da situação, numa entrevista concedida à CNN na madrugada desta quinta-feira.

Disse também estar disponível para se apresentar no Congresso. “Foi uma grande quebra de confiança e lamento muito que isto tenha acontecido”, afirmou. Antes, na sua página pessoal, tinha já garantido que a sua empresa estava escandalizada por ter sido enganada” pela utilização feita com os dados dos seus utilizadores.

“Temos a responsabilidade de proteger os vossos dados pessoais e, se não o conseguimos fazer, não merecemos servir-vos. Tenho trabalhado para perceber exatamente o que aconteceu e como garantir que isto não volte a acontecer. A boa notícia é que as ações mais importantes para evitar que esta situação se volte a repetir, já foram tomadas há anos. Mas também cometemos erros, há mais a fazer", escreveu.