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Caso Skripal. Reino Unido quer que líderes europeus expulsem espiões russos

Jack Taylor

Theresa May vai esta quinta-feira ao Conselho Europeu propor a expulsão de agentes secretos russos dos países da União Europeia. É mais um esforço da primeira-ministra para obter apoios na responsabilização da Rússia pelo uso do Novichok no envenamento do espião Sergei Skripal

O alegado envolvimento da Rússia no envenenamento do ex-espião Sergei Skripal está longe de ser assunto esquecido. A primeira-ministra britânica vai propor na “cimeira da primavera” do Conselho Europeu, quinta e sexta-feira em Bruxelas, que os líderes europeus tomem a iniciativa de expulsar agentes dos serviços de informações russos dos seus países. Theresa May pretende enfraquecer as ligações que o Kremlim possa ter nos países europeus, segundo apurou o diário britânico “The Guardian”.

Alertando para a ameaça a longo prazo que o Presidente Vladimir Putin representa para o Ocidente, May acredita que “o desafio russo vai perdurar nos próximos anos”, devido ao “padrão de comportamento agressivo” de Moscovo fora de portas. “Como democracia europeia, o Reino Unido vai permanecer ombro a ombro com a União Europeia e a NATO, para enfrentarmos estas ameaças juntos. Unidos seremos bem-sucedidos”, dirá a líder britânica na cimeira, segundo o mesmo jornal.

May voltará a pôr em cima da mesa o caso de Skripal, sublinhando que a utilização do agente neurotóxico Novichok é uma clara violação da Convenção de Armas Químicas, tratado que foi ratificado por 65 países, entre eles a Rússia. A investigação da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), que será determinante na avaliação do tipo de agente nervoso usado no ataque a Skripal e à sua filha Yulia, foi lançada na segunda-feira, mas não se esperam resultados conclusivos antes de pelo menos quinze dias.

Evitar escaladas

Esta semana os 23 diplomatas russos em Londres expulsos pelo Reino Unido abandonaram definitivamente o país. O Governo britânico acredita que esta medida enfraqueceu os serviços de informações de Moscovo e não descarta a possiblidade de novas expulsões se mais agentes secretos russos vierem a ser descobertos no território.

Apesar de as tensões entre os dois países terem aumentado consideravelmente nas últimas semanas, o Executivo do Reino Unido faz questão de rejeitar qualquer passo em falso que possa alimentar uma escalada do conflito. Londres reitera que as medidas já tomadas têm o propósito de refrear a capacidade do Kremlin de provocar possíveis danos.

O encontro em Bruxelas, esta quinta-feira, entre May e os dirigentes europeus será a última fase dos esforços diplomáticos que a primeira-ministra britânica e os seus ministros têm levado a cabo no sentido de obter apoio na responsabilização da Rússia pelo envenenamento.