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Ainda não é desta que a Catalunha tem presidente

ALBERT GEA/ Reuters

Pedro Cordeiro

Pedro Cordeiro

Editor da Secção Internacional

Mantém-se para a tarde desta quinta-feira (17h em Espanha, 16h em Portugal) a sessão de investidura do novo presidente do governo regional catalão, Mantém-se também o candidato único até à data, o independentista Jordi Turull. Mas existe já a certeza de que não será empossado hoje, por falta de maioria absoluta. Poderá sê-lo numa segunda ronda, dentro de dias, que só exigirá maioria simples.

Turull, que foi membro do governo de Carles Puigdemont, tem o apoio da bancada a que pertence, Juntos pela Catalunha (JxC, 34 deputados) e da Esquerda Republicana da Catalunha (32), mas falha a unanimidade entre separatistas por lhe faltarem os votos da Candidatura de Unidade Popular. Esta força de extrema-esquerda anunciou, meia hora antes do arranque dos trabalhos, que os seus quatro parlamentares irão abster-se.

Com 64 votos garantidos (já que dois deputados da JxC, Puigdemont e Toni Comín, estão autoexilados na Bélgica), Turull não alcança os 68 exigidos para ter maioria absoluta. Outros parlamentares que estão em prisão preventiva, como Oriol Junqueras (líder da ERC e ex-vice-presidente da região) podem delegar o voto em companheiros de bancada.

“Não podemos condicionar a nossa ação política à ação repressiva do Estado”, explicou a CUP num comunicado. Refere-se à decisão do presidente do parlamento catalão de marcar o plenário para hoje para se antecipar à audiência judicial de Turull e outros políticos, agendada para amanhã. Nela o juiz Pablo Llarena, que instrui a causa contra os separatistas no Supremo Tribunal, poderá decretar prisão preventiva para o aspirante a liderar o governo catalão. Turull está acusado de sedição, rebelião e peculado pela organização do referendo ilegal de autodeterminação de 1 de outubro.

Para a CUP, o importante é “prosseguir o combate com um programa de governo para esta legislatura que seja valente e dê sequência ao mandato de 1 de outubro”. Ou seja, voltar a proclamar a República Catalã, gesto que em 2017 ditou a aplicação do artigo 155 da Constituição espanhola pelo Governo central e a suspensão da autonomia da Catalunha.

No parlamento regional estão ainda três partidos contrários à secessão e que votarão sempre contra a investidura de Turull: Cidadãos (centro unionista, 36 deputados), Partido dos Socialistas Catalães (ramo do PSOE, 17 assentos) e Partido Popular (4 lugares, direita, chefiado pelo primeiro-ministro Mariano Rajoy). Já o grupo Em Comum Podemos (esquerda diversa e populista), com 8 representantes, é contra a independência mas a favor de um referendo legal e pactuado, além de crítico das ações do Executivo central e da justiça espanhola na crise catalã.