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Internacional

Presidente de Myanmar demite-se do cargo

AUNG HTET

O gabinete até agora ocupado por Htin Kyaw, amigo de longa data e confidente de Aung San Suu Kyi, informou apenas que o político de 71 anos quer “descansar". Sucessor, que não pode ser a Nobel da Paz, será escolhido na próxima semana

O Presidente de Myanmar (antiga Birmânia), Htin Kyaw, demitiu-se do cargo que ocupava desde 2016, na sequência das primeiras eleições totalmente livres do país depois de mais de 50 anos de ditadura militar.

Kyaw era tido como um Presidente cerimonial, braço-direito da líder de facto do país, Aung San Suu Kyi, secretária-geral da oposição e Nobel da Paz, que venceu as eleições no final de 2015 mas está impedida pela Constituição de ocupar o cargo oficial.

No comunicado a anunciar a saída, publicado na página de Facebook da presidência, não foram explicados os motivos que levaram o político de 71 anos a abdicar do cargo, lendo-se apenas que Kyaw quer "descansar". Há várias semanas que estava a aumentar a especulação sobre a deterioração do seu estado de saúde.

No mesmo comunicado, o gabinete presidencial informou que o atual vice-presidente, o general na reforma Myint Swe, vai assumir o cargo interinamente até que um novo Presidente seja escolhido nos próximos sete dias.

A cláusula na Constituição que impede Suu Kyi de ocupar o lugar agora vago dita que nenhum birmanês com filhos de outras nacionalidades pode ser Presidente, uma regra que foi introduzida no documento fundamental da nação pela Junta Militar antes das eleições para impedir a líder da oposição de governar (os seus dois filhos têm nacionalidade britânica).

Seu amigo de infância, Htin Kyaw foi um dos conselheiros mais próximos de Suu Kyi e chegou até a trabalhar como seu motorista. É tido como uma pessoa reservada e dependente em quem a verdadeira líder de Myanmar podia confiar totalmente.

A demissão de Kyaw surge depois de meses de crescentes críticas às autoridades do país, tanto civis como militares, pela violenta perseguição e repressão dos Rohingya, cerca de um milhão de pessoas que pertencem a essa minoria étnica muçulmana e que nunca tiveram direitos nem cidadania reconhecidos por Myanmar.

Com a nova "operação de limpeza" do Exército lançada em agosto no norte do estado de Rakhine, onde a minoria vive concentrada, dezenas de milhares de Rohingya fugiram para o Bangladesh.O governo civil e os militares, que continuam a controlar importantes ministérios, alegam que estão a combater "terroristas".

Inúmeras ONG, na sua maioria impedidas de aceder àquele estado, bem como a ONU continuam a acusar as autoridades do país de limpeza étnica, crimes contra a humanidade e genocídio, enquanto a popularidade mundial de Suu Kyi continua em queda face ao que os críticos dizem ser a sua inação e silêncio diante do contínuo massacre dos Rohingya.