Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Mais uma mulher quer contar caso extraconjugal que teve com Trump

Karen McDougal, uma ex-“coelhinha’ da “Playboy,” diz que o seu próprio advogado a enganou e manipulou para ela não contar a relação que manteve com o Presidente dos Estados Unidos durante 10 meses

Luís M. Faria

Jornalista

Dimitrios Kambouris / Getty Images

Uma segunda mulher que alega ter mantido um antigo caso extraconjugal com Donald Trump acaba de pedir aos tribunais que anulem o acordo de confidencialidade que assinou. Karen McDougal, uma ex-coelhinha da "Playboy", ter-se-á envolvido com Trump ao longo de 10 meses entre 2006 e 2007, quando o atual Presidente já era casado com Melania Knauss, de quem tinha um filho pequeno.

Tal como a atriz porno conhecida como Stormy Daniels (verdadeiro nome: Stephanie Clifford), McDougal foi abordada por aliados de Trump durante a campanha presidencial de 2016. Sem que ela soubesse, o seu próprio advogado estaria em contacto com eles a fim de garantir que a sua história jamais seria publicada.

Foi o advogado a apresentar-lhe os representantes da AMI, a empresa que publica o tabloide "National Enquirer", e cujo dono é amigo pessoal de Trump. Além do meio milhão de dólares (406 mil euros) que deviam ter depositado numa conta fiduciária em benefício de McDougal, prometeram-lhe um contrato superior a um milhão. Nada disso viria a concretizar-se.

McDougal acabou por assinar um acordo que lhe atribuía 150 mil dólares (122 mil euros) a troco do seu silêncio. O seu advogado recebeu 45% dessa soma, e os alegados projetos futuros não se concretizaram. Agora ela quer anular o acordo, com base no que entretanto descobriu e no próprio facto de o pagamento que recebeu ser uma contribuição em espécie para a campanha de Trump – uma contribuição não declarada, portanto ilegal.

20 milhões de indemnização... a quem?

Também este último argumento se coloca em relação ao acordo assinado por Stormy Daniels, que ela também pretende ver anulado nos tribunais. Outro argumento que usa é o facto de Trump não ter assinado o acordo. O advogado de Trump, Michael Cohen, fez à atriz um pagamento de 130 mil dólares (105 mil euros) no seu próprio nome, e recusa dizer porque o fez. O motivo parece óbvio: para proteger Trump numa altura especialmente sensível, quando as eleições estavam a aproximar-se.

Os acordos incluem cláusulas que determinam indemnizações substanciais no caso de as mulheres quebrarem a confidencialidade que prometeram guardar. Após Stormy Daniels ter dado várias entrevistas, foi ameaçada com ter de pagar uma indemnização de 20 milhões de dólares (16,2 milhões de euros) –um milhão por cada revelação ao arrepio do acordo. Mas falta saber a quem os pagará, uma vez que Trump não é formalmente parte do acordo.

Ambas as mulheres invocam a ilegalidade dos acordos. Mas como tanto uma como a outra aceitaram o dinheiro oferecido e ficaram silenciosas, terão reconhecido que eram válidos. Pelo menos é essa a opinião de vários juristas. Outros acham que os tribunais jamais validarão acordos que incluem ilegalidades (as contribuições políticas não declaradas).

Certo é que, com os processos agora anunciados, as duas mulheres já deram publicidade ao assunto. Trump nega todas as alegações e, tal como fez com mulheres que o acusaram de assédio e abuso, chama-lhes "mentirosas". Mas um juiz decidiu esta terça-feira que a ação judicial por difamação que uma antiga concorrente de "O Aprendiz" interpôs vai mesmo seguir em frente.

Trump tinha pedido que o tribunal a rejeitasse. Agora existe uma possibilidade bastante real de ele ter de ir a tribunal explicar o seu comportamento.

  • Atriz de filmes porno abre processo judicial contra Trump

    Stormy Daniels diz que o agora Presidente nunca chegou a assinar o acordo de confidencialidade que ela subscreveu dias antes das eleições, que a proibia de falar publicamente sobre o caso extraconjugal que Trump manteve com ela após Melania ter sido mãe, em 2006