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Internacional

Jornalistas da Reuters presos há 100 dias no Myanmar, antiga Birmânia

NYEIN CHAN NAING

Pouco depois da súbita demissão do presidente birmanês, dois jornalistas da agência Reuters presos há 100 dias quando investigavam o massacre do rohingya voltaram esta quarta-feira a tribunal. Enfrentam 14 anos de prisão

Pela 11ª vez desde 12 de dezembro, Wa Lone e Kyaw Soe Oo, compareceram num tribunal de Rangum, onde enfrentam a acusação de roubo de documentos governamentais secretos. Até agora, as autoridades do Myanmar, antiga Birmânia, sempre se recusaram a fazer qualquer declaração sobre o caso, alegando que está em segredo de justiça. A justiça birmanesa ainda não decidiu se avança com a acusação que poderá valer 14 anos de prisão aos dois jornalistas da Reuters, que são ambos cidadão birmaneses.

Wa Lone, de 31 anos de idade, e Kyan Soe Oo, de 29, foram presos em dezembro na capital do país depois de aceitarem um convite para jantar com agentes da polícia. Na altura, as autoridade afirmaram que os dos jornalistas tinham na sua posse documentos secretos sobre operações de segurança do exército birmanês no Estado de Rakhine. Foi deste estado na costa ocidental do país que mais de 670 mil pessoas da etnia muçulmana rohingya fugiram para o Bangladesh desde agosto passado devido à perseguição do exército. A ONU continua a investigar os excessos cometidos pelas tropas de Rangum e acusam o país de genocídio contra a minoria muçulmana.

Líder no parlamento favorito à presidência

Pouco depois de ser conhecida a saída de Htin Kyaw da presidência do país, o líder da câmara baixa do Parlamento, Win Myin, anunciou a sua demissão, alimentando a especulação de que poderá ser o novo presidente da Birmânia. Segundo a Constituição, o sucessor de Htin Kyaw deverá ser nomeado nos próximos sete dias.

Membro da Liga Nacional para a Democracia (LND), Win Myin, de 67 anos de idade, é considerado um dos favoritos pela líder birmanesa Aung San Suu Kyi, entre outros filiados no partido que está no poder há dois anos.

Htin Kyaw, de 74 anos de idade, anunciou esta quarta-feira a sua demissão, invocando razões de saúde. Amigo próximo de Suu Kyi, Htin Kyaw, sofreu recentemente algumas hospitalizações. Para os analistas, a demissão de Htin Kyaw era esperada, mas surge num momento de forte pressão internacional sobre Aung San Suu Kyi devido ao seu silêncio sobre o massacre da etnia rohingya.