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Internacional

Israel admite ter destruído reator nuclear na Síria

Israelitas foram sempre os presumíveis autores do bombardeamento, facto que só agora foi assumido pelo Exército hebraico

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Ataque há mais de uma década acabou de ser assumido pelos hebraicos perante os seus crescentes alertas sobre a intervenção do Irão na guerra da Síria em apoio a Bashar al-Assad e os pedidos ecoados por Donald Trump para que o acordo nuclear com os iranianos seja repensado ou revogado

O Exército israelita admitiu esta quarta-feira que, há mais de dez anos, atacou e destruiu um presumível reator nuclear na vizinha Síria, durante uma operação-relâmpago aérea.

Não restavam grande dúvidas de que Israel estava por trás da incursão audaz no território inimigo contra Al-Kibar, localidade da província de Deir Ezzor (leste), na noite de 5 para 6 de setembro de 2007, mas esta é a primeira vez em que este país assume abertamente a autoria do ataque, na sequência da publicação de documentos até agora confidenciais.

Este reconhecimento coincide com os crescentes alertas do Estado hebraico sobre o reforço da presença do Irão na Síria e com os apelos de Israel para que o histórico acordo nuclear firmado pela comunidade internacional com o país dos aiatolas em 2015 seja revisto ou até anulado.

A vontade de Israel é apoiada pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, que deu aos Estados-membros da União Europeia até 13 de maio para corrigirem o que considera serem as "terríveis lacunas" desse acordo com os iranianos.

A possibilidade de um ataque israelita contra instalações nucleares do Irão é, desde há muito, objeto de intensa especulação, isto depois de, em 1981, os hebraicos terem bombardeado o reator nuclear de Osirak sob a oposição de Washington.

"Na noite de 5 para 6 de setembro de 2007, aviões da Força Aérea israelita atingiram e destruíram um reator nuclear sírio em desenvolvimento", informou o Exército em comunicado. “O reator estava prestes a ser concluído e a operação eliminou uma ameaça existencial para Israel e toda a região. Um reator nuclear nas mãos de [Bashar al-] Assad teria tido repercussões graves para todo o Médio Oriente.”

O Presidente da Síria tem negado sempre a versão de que estava a criar uma infraestrutura nuclear no local, muito embora a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) tenha, em 2011, considerado "muito provável" que aquele fosse de facto um reator, um que poderá ter sido construído com o apoio da Coreia do Norte.