Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Governo nigeriano confirma libertação de 91 raparigas pelo Boko Haram

A 19 de fevereiro a Faculdade Técnica e de Ciências para Raparigas de Dapchi, na Nigéria, foi alvo de um ataque do Boko Haram, no qual 110 raparigas foram raptadas pelo grupo extremista islâmico

AFOLABI SOTUNDE / ARQUIVO / REUTERS

Das 110 crianças raptadas em fevereiro pelo grupo extremista islâmico, 91 foram deixadas esta quarta-feira à porta da escola de Dapchi com um aviso: “Não ponham as vossas filhas na escola”. O paradeiro das restantes 19 permanece desconhecido

O Governo nigeriano confirmou esta quarta-feira, após informações contraditórias, a libertação de 91 das 110 jovens raparigas raptadas a 19 de fevereiro pelo grupo extremista islâmico Boko Haram, desconhecendo-se ainda o paradeiro das restantes 19.

Inicialmente, fontes contactadas pela agência noticiosa France Presse (AFP) davam conta de que o Boko Haram, com ligações ao grupo Estado Islâmico, libertara "uma centena" das jovens.

Mais tarde, o Governo nigeriano indicou ter informações de que o número de jovens libertadas era de 76.

Testemunhas citadas pela agência Associated Press (AP) indicaram que os raptores chegaram a Dapchi cerca das 8h locais (7h em Portugal) e que deixaram as crianças defronte da escola da cidade, gritando à população para que não as deixem regressar ao estabelecimento de ensino para receber "instrução ocidental".

Citando uma das testemunhas em Dapchi, no Estado de Yobe (norte), a AP adianta que os elementos do Boko Haram disseram que as libertavam por "piedade". "Mas não ponham as vossas filhas na escola", gritaram.

O Governo nigeriano também negou ter pago qualquer resgate aos raptores, garantindo que a libertação das jovens é um processo que "ainda está em curso" através de "canais específicos e com a ajuda de alguns países amigos".

"As jovens raparigas chegaram em nove viaturas e foram entregues à porta da escola cerca das 8h" (7h em Portugal), indicou à AFP Bashir Manzo, que dirige uma associação de ajuda aos familiares das crianças raptadas.

A 19 de fevereiro último, elementos do Boko Haram atacaram uma escola para raparigas em Dapchi e raptaram 110 alunas com idades entre os 10 e os 18 anos.

Na terça-feira, a Amnistia Internacional (AI) acusou o Exército nigeriano de ter sido informado sobre movimentações dos extremistas na região de Dapchi antes do rapto e de não ter reagido a tempo.

O drama desenvolveu-se em circunstâncias quase idênticas ao rapto de Chibok, em abril de 2014, em que 260 raparigas foram levadas por militantes do Boko Haram, desencadeando uma vaga de emoção mundial.

Mais tarde, cerca de uma centena delas conseguiu escapar ou foram libertadas depois de negociações com o Governo.

(Notícia e título atualizados às 14h26)