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Internacional

Ex-empresa de Harvey Weinstein liberta alegadas vítimas de abuso sexual dos acordos de confidencialidade que assinaram

Drew Angerer / Getty Images

A medida por agora anunciada como parte de um plano para salvar o que for possível da empresa, que deverá ser vendida a uma firma de investimentos

Luís M. Faria

Jornalista

A companhia fundada e dirigida por Harvey Weinstein durante anos acaba de libertar os seus empregados de quaisquer acordos de confidencialidade que tenham assinado para não revelarem os abusos de que foram vítimas por parte de Weinstein. A medida afeta sobretudo mulheres – mais de oitenta, incluindo atrizes conhecidas como Angelina Jolie, Uma Thurman e Lupita Nyong’o, acusaram o produtor ao longo de meses – e era uma exigência do procurador-geral do Estado de Nova Iorque, que instaurou um processo judicial nesse sentido à The Weinstein Company.

O anúncio surge na mesma altura em que a companhia declara bancarrota, como parte de um processo para salvar o mais que puder de si mesma. “Desde outubro, tem sido reportado que Harvey Weinstein usou acordos de confidencialidade como arma secreta para silenciar as suas acusadoras. Com efeito imediato, esses acordos terminam. Ninguém deve ter medo de falar ou ser coagido a ficar calado”, diz a companhia num comunicado.

“As vossas vozes inspiraram um movimento de mudança pelo país e pelo mundo fora”, acrescenta o comunicado, dirigindo-se às vítimas. “A companhia lamenta não poder anular os danos que Harvey Weinstein causou, mas espera que os eventos de hoje marquem um novo começo”.

Processos judiciais de alegadas vítimas continuam

Em princípio, a The Weinstein Company vai ser comprada pela Lantern Capital Partners, uma firma de investimentos. “Embora tivéssemos esperança de chegar a um acordo fora do tribunal, o conselho de administração está satisfeito por ter um plano para maximizar o valor dos seus ativos, preservando tantos empregos quanto possível e procurando justiça para todas as vítimas”.

O acordo e a bancarrota não extinguem os processos interpostos contra a The Weinstein Company em Los Angeles e noutras cidades, embora esses processos fiquem para já em suspenso, com outros credores da companhia a terem prioridade. Quanto a Harvey Weinstein, que foi obrigado a deixar a administração em outubro do ano passado (o seu irmão Bob continua a dirigi-la) na sequência do escândalo que continua até hoje e se alargou a muitas outras áreas além do cinema, continua a ser investigado pelas autoridades americanas, e não só. A polícia britânica confirmou que também o está a fazer. Weinstein nega todas as acusações de sexo não-consensual.

A The Weinstein Company, que tem no seu cadastro dezenas de filmes, incluindo "Sacanas sem Lei", "Django Libertado" e "O Discurso do Rei", foi criada em 2005, depois de Harvey e o seu irmão abandonarem a sua empresa original, a Miramax, que tinham vendido à Disney em 1993. No seu conjunto, foram responsáveis por muitos dos maiores sucessos cinematográficos das últimas décadas, bem como pelo lançamento das carreiras de muitos atores e atrizes de topo.