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Cofundador do Whatsapp: “Chegou a hora de apagar o Facebook”

studioEAST/GETTY

Em 2014, o Facebook comprou o WhatsApp por 17 mil milhões de euros. Agora, o cofundador deste serviço de mensagens instantâneas mostra-se desiludido com a rede social, após o escândalo desvendado este fim de semana sobre o acesso indevido a informações de 50 milhões de utilizadores, e é perentório: “Chegou a hora de apagar o Facebook”

O cofundador do Whatsapp, Brian Acton, que vendeu há quatro anos este serviço de mensagens instantâneas ao Facebook, afirma que é altura de apagar as contas nesta rede social. “Chegou a hora. #apagarFacebook”, escreveu esta terça-feira à noite Brian Acton num post no Twitter.

A mensagem de Brian Acton surge na sequência do escândalo divulgado este fim de semana pelos jornais americano “The New York Times” e britânico “The Observer”, que envolve a empresa de Mark Zuckerberg e a Cambridge Analytica. Segundo uma investigação destes media, o Facebook permitiu que a Cambridge Analytica acedesse indevidamente a informações de 50 milhões de utilizadores desta rede social com vista a influenciar a opinião pública, nomeadamente nas eleições dos EUA, em 2016.

O caso já levou ao afastamento do cargo do presidente executivo da Cambridge Analytica, Alexander Nix, depois de o Channel 4 News ter divulgado uma conversa do ex-CEO que admitiu ter-se reunido várais vezes com Donald Trump, com vista a arquitetarem uma campanha digital eficaz para as eleições norte-americanas.

A Comissão Federal do Comércio dos EUA Cambridge Analytica já abriu uma investigação sobre o caso, enquanto a comissária de informação da Grã-Bretanha, Elizabeth Denham, anunciou que vai solicitar o acesso aos servidores desta empresa de análise de dados.

O Parlamento britânico também já exigiu explicações a Mark Zuckerberg. “É altura de ouvir um alto representante do Facebook, alguém com autoridade suficiente para fornecer dados corretos sobre esta falha catastrófica”, defendeu o deputado Damian Collins, presidente da Comissão de Cultura, Media e Assuntos Digitais da Câmara dos Comuns.

O presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, condenou aquela que parece ser uma “violação inaceitável” dos dados pessoais e convidou igualmente o fundador do Facebook a “prestar esclarecimentos aos representantes de 500 milhões de europeus, cujos dados pessoais não podem ser usados para manipular a democracia.”

Do lado do Facebook mantém-se o silêncio. Pelo menos dos seus principais rostos – nem o fundador Mark Zuckerberg, nem Sheryl Sandberg, responsável pelas operações da empresa, comentaram a polémica. “Mark, Sheryl e as suas equipas estãoa trabalhar em contrarrelógio para recolherem todos os factos e tomarem medidas com base nessas informações, porque compreendem a seriedade do assunto. Estamos deveras comprometidos a reforçar as nossas políticas para proteger as informações das pessoas e tomaremos todos os passsos necessários para que isso aconteça ”, limitou-se a dizer uma porta-voz do Facebook.

O escândalo já está a ter implicações na empresa criada por Mark Zuckerberg, cujas ações se afundaram em dois dias quase 60 mil milhões de dólares (quase 49 mil milhões de euros) na bolsa.

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    Se usa o Facebook, já deve ter visto aplicações a anunciar que vão mostrar-lhe como será o seu rosto quando for mais velho ou como seria o seu aspeto se fosse uma estrela de cinema. Há milhões de aplicações no Facebook e é quase certo que já utilizou uma ou que os seus amigos já o fizeram. Mas deve também saber que essas aplicações passam a ter acesso a alguns - às vezes quase todos - dos seus dados pessoais alojados no Facebook. Ora, uma dessas aplicações, chamada “thisisyourdigitallife”, aparecia na rede social a pedir aos utilizadores que respondessem a uma série de questões para que fosse traçado um perfil psicológico. Soube-se agora que essa aplicação foi utilizada para manipular eleitores norte-americanos e britânicos - o homem que denunciou o caso chama-se Christopher Wylie. Os media dizem que o Facebook sabia de tudo e há políticos a pedir a chamada de Zuckerberg aos comités políticos dos EUA e do Reino Unido. Entre polémicas, intimidações e dúvidas que surgiram nos últimos dias, há pelo menos uma certeza: há aplicações pouco inocentes no Facebook