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Internacional

Burundi. Tensão aumenta face a referendo que poderá estender mandato presidencial

Anadolu Agency/GETTY

Caso vença o 'sim' no referendo constitucional, Presidente do Burundi, Pierre Nkurunziza, cujo mandato termina em 2020, poderá concorrer a mais dois mandatos de sete anos e confirmar-se como “Eterno Guia Supremo”

Aumenta a tensão política e social no Burundi, após o Presidente Pierre Nkurunziza ter anunciado a realização de um referendo a 17 de maio que poderá prolongar a sua liderança até 2034. O anúncio da consulta popular acontece depois de altos funcionários do Conselho Nacional para a Defesa da Democracia – Forças de Defesa da Democracia (CNDD-FDD), partido liderado por Pierre Nkurunziza, terem apelidado o governante de “Eterno Guia Supremo”.

No poder desde 2005, Pierre Nkurunziza, de 54 anos, poderá comandar os destinos do país por mais 18 anos, quando completar 70 anos, caso vença o 'sim' no referendo. Organizações não governamentais e líderes da oposição consideram que esta medida corresponde a uma manobra para o Presidente deste país africano se manter para sempre no poder.

A oposição está a contestar a realização desta consulta popular, acusando o partido do regime de fazer campanha pelo 'sim' há vários meses e forçando vários cidadãos a recensearem-se e votarem a favor da mudança constitucional.

Segundo a Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI), mais de 5 milhões de burundienses registaram-se nas listas eleitorais, mais 500 mil a mais do que o previsto, refere a AP. O governo do país garante que é o interesse por este referendo e o sentimento patriótico que está a levar tantos cidadãos a efetuarem o recenseamento eleitoral.

Mas a oposição insiste que os cidadãos não recenseados sobretudo nas aldeias estão a ser impedidos de ter acesso a documentos e a receitas médicas. Além disso, mais de meia centena de militantes da oposição foram detidos durante campanhas a favor pelo 'não' no referendo, avança a Africanews.

Agathon Rwasa, líder da Frente de Libertação Nacional (FNL) – principal partido da oposição –, considera que os resultados deste referendo serão falseados, uma vez que a população está a ser intimidada a votar a favor da alteração da Constituição, e que esta consulta popular só irá aumentar as divisões no país.

Há 13 anos no poder, Nkurunziza é um Presidente controverso que é acusado de ser um líder autoritário envolvido também em esquemas de corrupção. Em 2015, quando anunciou a candidatura a um terceiro mandato aumentou a contestação social no país que é marcado há vários anos por violência étnica. Na altura, pelo menos 1200 pessoas morreram e mais de 400 mil deslocadas.